Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis: resenha, prós e contras

🎯 Resposta direta: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, recebe nota 9.7/10 aqui no Mural dos Livros e ocupa a 1ª posição em Livros de Machado de Assis: Os 10 Melhores para Começar. É indicado para quem acha que clássico brasileiro é sisudo e nunca lhe mostraram o contrário, e não é indicado para quem precisa de enredo com progressão — aqui a estrutura é fragmentada de propósito. A edição que eu recomendo é a da Penguin-Companhia, com 368 páginas.
Léo Rezende

Por Léo Rezende
Leitura, análise e recomendação

Apaixonado por livros desde sempre, Léo Rezende criou o Mural dos Livros para compartilhar leituras, resenhas e descobertas com quem também não resiste a uma boa estante. Lê de clássico russo a suspense de aeroporto, e conta a verdade sobre os dois.

Brás Cubas está morto e resolve escrever a própria biografia justamente por isso — livre de qualquer consequência. Dedica o livro ao primeiro verme que roeu seu cadáver e passa 160 capítulos zombando de uma vida que não serviu para nada.

  • Autor: Machado de Assis
  • Publicado em: 1881
  • Gênero: Romance / Sátira
  • Edição indicada: Penguin-Companhia
  • Páginas: 368 páginas
  • Nota do Léo: 9.7 de 10
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 15.514 avaliações de leitores

A leitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas é o livro mais inventivo já escrito no Brasil, e o mais moderno. Capítulos de meia página, alguns com uma frase só, um deles feito apenas de pontos — em 1881. O narrador está morto e escreve a própria biografia justamente por isso: livre de qualquer consequência.

E é engraçadíssimo. Quase ninguém avisa isso antes de você abrir o livro. Machado dedica a obra ao primeiro verme que roeu seu cadáver, interrompe a narração para reclamar do leitor, inventa uma filosofia inteira só para debochar dela. Reli ano passado e ri alto duas vezes no ônibus, o que rendeu olhares.

As duas dificuldades reais são a estrutura, que desorienta quem espera progressão, e as piadas que dependem do Rio de Janeiro do século XIX. Por isso a edição da Penguin-Companhia vale o que custa: as notas resolvem as referências datadas sem atrapalhar a leitura. Sei que discordo da maioria das listas, que coroam Dom Casmurro — mas ousadia me pega mais.

Prós e contras de Memórias Póstumas de Brás Cubas

✅ Prós

  • Capítulos de meia página, alguns com uma frase só, um deles feito apenas de pontos — em 1881
  • É engraçadíssimo, e quase ninguém avisa isso antes de você abrir o livro
  • O narrador morto permite uma sinceridade que nenhum narrador vivo teria, e Machado usa isso até o fim
  • A edição da Penguin-Companhia traz notas que resolvem as referências datadas sem atrapalhar a leitura

⚠️ Contras

  • A estrutura fragmentada desorienta quem espera enredo com progressão
  • Várias piadas dependem do Rio de Janeiro do século XIX e só funcionam com a nota de rodapé

Para quem é (e para quem não é)

  • Leia se você for: quem acha que clássico brasileiro é sisudo e nunca lhe mostraram o contrário.
  • Pule se você for: quem precisa de enredo com progressão — aqui a estrutura é fragmentada de propósito.

Vale a pena ler Memórias Póstumas de Brás Cubas? O veredito

O veredito do Léo · nota 9.7/10

Recomendo em primeiro lugar, e sei que discordo da maioria das listas — quase todas coroam Dom Casmurro. Mas Brás Cubas é o livro mais inventivo já escrito no Brasil, e o mais moderno: capítulo de uma frase, narrador defunto, piada com o leitor. Reli ano passado e ri alto duas vezes no ônibus, o que rendeu olhares. Se você acha que Machado é chato, o problema foi te apresentarem pelo livro errado.

Memórias Póstumas de Brás Cubas — Penguin-Companhia

É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.

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Este livro ocupa a 1ª posição em Livros de Machado de Assis: Os 10 Melhores para Começar.

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Perguntas frequentes sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas

Memórias Póstumas de Brás Cubas vale a pena?

Vale, e para mim é o melhor livro brasileiro já escrito: 15.514 avaliações com média 4,8. É o mais inventivo — capítulos de uma frase, narrador defunto, deboche com o leitor, em 1881 — e é muito mais engraçado do que a fama de clássico deixa imaginar.

Memórias Póstumas ou Dom Casmurro?

Dom Casmurro é o mais perfeito e o mais discutido; Brás Cubas é o mais ousado e o mais divertido. A maioria das listas coroa o primeiro. Eu fico com o segundo, e recomendo começar por ele justamente porque desmonta a ideia de que Machado é chato.

Memórias Póstumas de Brás Cubas é difícil?

A prosa é mais fácil do que se teme; a estrutura é que desorienta. São 160 capítulos curtíssimos sem progressão convencional, e várias piadas dependem do Rio do século XIX. Uma edição com notas resolve boa parte disso.

Qual a melhor edição de Memórias Póstumas de Brás Cubas?

A da Penguin-Companhia é a que eu indico: traz notas que explicam as referências datadas sem interromper a leitura. Como a obra está em domínio público, há muitas edições sem revisão e sem aparato — vale conferir antes de comprar a mais barata.

Quantas páginas tem Memórias Póstumas de Brás Cubas?

São 368 páginas na edição da Penguin-Companhia, divididas em 160 capítulos muito curtos. Isso torna a leitura fácil de fatiar: dá para ler cinco capítulos numa fila de banco.

Resenha revisada em 31/08/2026 por Léo Rezende.

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