Livros de Machado de Assis: Os 10 Melhores para Começar

🎯 Resposta direta: Os 10 melhores livros de Machado de Assis são Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, O Alienista, Quincas Borba, Papéis Avulsos, Memorial de Aires, Esaú e Jacó, Helena, A Mão e a Luva e Ressurreição. Para quem nunca leu o autor, o melhor ponto de partida é O Alienista — 80 páginas, uma hora e meia de leitura. E como as obras estão em domínio público, a escolha da edição pesa mais aqui do que em qualquer outro autor desta lista.
Léo Rezende

Por Léo Rezende
Leitura, análise e recomendação

Apaixonado por livros desde sempre, Léo Rezende criou o Mural dos Livros para compartilhar leituras, resenhas e descobertas com quem também não resiste a uma boa estante. Lê de clássico russo a suspense de aeroporto, e conta a verdade sobre os dois.

Machado de Assis tem o problema de ser leitura obrigatória. Metade dos brasileiros conhece Dom Casmurro por resumo de véspera de prova, e sai com a impressão de que ele é um senhor sisudo escrevendo sobre gente rica do século XIX.

Ele é, na verdade, o autor mais engraçado da literatura brasileira. Memórias Póstumas de Brás Cubas tem capítulo de uma frase, capítulo feito só de pontos, e é dedicado ao verme que roeu o cadáver do narrador. Em 1881.

Cada título abaixo tem prós, contras e o meu veredito. Vou discordar da maioria das listas logo no primeiro lugar, e explico por quê. E tem um aviso de compra importante no meio: dois livros desta lista contêm o mesmo texto.

Ilustração de Livros de Machado de Assis: Os 10 Melhores para Começar

Comparativo rápido dos 10 melhores livros de Machado de Assis

A nota é minha, de leitor, de 0 a 10. A avaliação da Amazon aparece na ficha de cada livro, atribuída a ela — são coisas diferentes e não faz sentido misturar.

# Livro Gênero Páginas Nota do Léo Ideal para
1 Memórias Póstumas de Brás Cubas
Machado de Assis
Romance / Sátira 368 9.7 Quem acha que clássico brasileiro é sisudo
2 Dom Casmurro
Machado de Assis
Romance 400 9.6 Quem quer o clássico brasileiro mais discutido de todos
3 O Alienista
Machado de Assis
Novela / Sátira 80 9.4 Quem quer testar Machado em uma hora e meia
4 Quincas Borba
Machado de Assis
Romance 360 9.1 Quem leu Brás Cubas e quer continuar na mesma veia
5 Papéis Avulsos
Machado de Assis
Contos 272 8.9 Quem quer os contos dele num volume só
6 Memorial de Aires
Machado de Assis
Romance / Diário 195 8.6 Quem já leu os três grandes e quer o Machado do fim da vida
7 Esaú e Jacó
Machado de Assis
Romance 224 8.4 Quem quer Machado comentando política brasileira
8 Helena
Machado de Assis
Romance romântico 280 8.0 Quem gosta de romance do século XIX
9 A Mão e a Luva
Machado de Assis
Romance romântico 184 7.7 Quem quer ler a obra completa dele
10 Ressurreição
Machado de Assis
Romance romântico 136 7.4 Quem quer ver onde tudo começou

Os 10 melhores livros de Machado de Assis, um a um

1

Memórias Póstumas de Brás Cubas

Machado de Assis · 1881 · Romance / Sátira

9.7

Brás Cubas está morto e resolve escrever a própria biografia justamente por isso — livre de qualquer consequência. Dedica o livro ao primeiro verme que roeu seu cadáver e passa 160 capítulos zombando de uma vida que não serviu para nada.

  • Edição indicada: Penguin-Companhia
  • Páginas: 368 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 15.514 avaliações de leitores

✅ Prós

  • Capítulos de meia página, alguns com uma frase só, um deles feito apenas de pontos — em 1881
  • É engraçadíssimo, e quase ninguém avisa isso antes de você abrir o livro
  • O narrador morto permite uma sinceridade que nenhum narrador vivo teria, e Machado usa isso até o fim
  • A edição da Penguin-Companhia traz notas que resolvem as referências datadas sem atrapalhar a leitura

⚠️ Contras

  • A estrutura fragmentada desorienta quem espera enredo com progressão
  • Várias piadas dependem do Rio de Janeiro do século XIX e só funcionam com a nota de rodapé

O veredito do Léo

Recomendo em primeiro lugar, e sei que discordo da maioria das listas — quase todas coroam Dom Casmurro. Mas Brás Cubas é o livro mais inventivo já escrito no Brasil, e o mais moderno: capítulo de uma frase, narrador defunto, piada com o leitor. Reli ano passado e ri alto duas vezes no ônibus, o que rendeu olhares. Se você acha que Machado é chato, o problema foi te apresentarem pelo livro errado.

Quer a análise completa? Leia minha resenha de Memórias Póstumas de Brás Cubas →

Memórias Póstumas de Brás Cubas — Penguin-Companhia

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2

Dom Casmurro

Machado de Assis · 1899 · Romance

9.6

Bentinho, já velho e amargo, conta como conheceu Capitu na adolescência, casou com ela e concluiu que foi traído com o melhor amigo. O leitor só tem a versão dele. É esse o livro inteiro.

  • Edição indicada: Penguin-Companhia — estabelecimento de texto de Manoel M. Santiago
  • Páginas: 400 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 15.394 avaliações de leitores

✅ Prós

  • A pergunta "Capitu traiu ou não?" alimenta discussão há 125 anos, o que é um feito narrativo notável
  • Machado constrói um narrador não confiável décadas antes de o conceito existir na crítica
  • É o clássico brasileiro mais fácil de acompanhar: a prosa flui e os capítulos são curtos
  • A edição da Penguin-Companhia é a de referência, com estabelecimento de texto e notas

⚠️ Contras

  • Se você já sabe da dúvida sobre a Capitu — e todo brasileiro sabe —, perde parte da surpresa
  • A primeira parte, na adolescência dos dois, se demora bastante antes de o conflito começar

O veredito do Léo

Recomendo, e é o número dois aqui por muito pouco. Dom Casmurro é o mais perfeito dos livros do Machado e o mais discutido, mas Brás Cubas é o mais ousado, e ousadia me pega mais. O que me impressiona ao reler é perceber quanto o Bentinho manipula você sem que você note — e como a escola brasileira inteira passou décadas debatendo a Capitu sem reparar que a pergunta certa era sobre ele.

Quer a análise completa? Leia minha resenha de Dom Casmurro →

Dom Casmurro — Penguin-Companhia

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3

O Alienista

Machado de Assis · 1882 · Novela / Sátira

9.4

O médico Simão Bacamarte abre um manicômio na vila de Itaguaí e começa a internar gente por critérios cada vez mais amplos, até que quatro quintos da população esteja dentro da Casa Verde. Então ele repensa o critério — e a conclusão é ainda pior.

  • Edição indicada: Via Leitura
  • Páginas: 80 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 586 avaliações de leitores

✅ Prós

  • 80 páginas: é o jeito mais rápido de descobrir se você gosta de Machado
  • A sátira sobre quem tem autoridade para definir loucura envelheceu assustadoramente bem
  • Tem estrutura de conto de terror e ritmo de comédia ao mesmo tempo
  • Preço baixo e edições fáceis de achar, por estar em domínio público

⚠️ Contras

  • Sendo novela curta, os personagens são tipos satíricos e não ganham profundidade
  • Está incluído dentro de Papéis Avulsos — comprando os dois, você paga duas vezes pela mesma novela

O veredito do Léo

Recomendo como porta de entrada, e é isso que ele faz melhor que qualquer outro livro desta lista. Oitenta páginas, uma hora e meia, e você sai sabendo exatamente se o Machado é pra você. Reli em 2020 e a piada de um sujeito com poder decidindo sozinho quem é são deixou de ser tão engraçada — o que provavelmente é a melhor prova de que o livro funciona.

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O Alienista — Via Leitura

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4

Quincas Borba

Machado de Assis · 1891 · Romance

9.1

Rubião herda a fortuna de um filósofo louco e, junto com ela, a filosofia dele: o Humanitismo, segundo o qual o vencedor sempre tem razão. Cercado de gente interessada, Rubião passa o livro sendo devorado devagar.

  • Edição indicada: Penguin-Companhia — com mais de cem notas explicativas
  • Páginas: 360 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 1.197 avaliações de leitores

✅ Prós

  • É a continuação temática de Brás Cubas e o mais cruel dos romances dele
  • "Ao vencedor, as batatas" saiu daqui e resume o livro inteiro em quatro palavras
  • A queda do Rubião é conduzida com uma paciência que torna o desfecho devastador
  • Esta edição tem mais de cem notas explicativas, o que ajuda muito com o vocabulário de 1891

⚠️ Contras

  • O ritmo é mais lento que o de Brás Cubas e o humor é bem mais amargo
  • Funciona muito melhor depois de Brás Cubas — lido sozinho, perde metade da graça

O veredito do Léo

Recomendo, mas em quarto e nunca como estreia. Quincas Borba é o Machado no modo mais impiedoso: você acompanha um homem bom sendo esvaziado por todo mundo à volta, e ninguém aparece pra salvá-lo. Terminei com aquela sensação de ter assistido a um acidente em câmera lenta. É excelente, e é o menos divertido dos três grandes.

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Quincas Borba — Penguin-Companhia

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5

Papéis Avulsos

Machado de Assis · 1882 · Contos

8.9

A coletânea que trouxe O Alienista, A Chinela Turca e O Espelho — o conto em que um homem descobre que só se enxerga no espelho quando está de farda. É o volume que marca a virada realista de Machado nos contos.

  • Edição indicada: Penguin-Companhia — introdução de John Gledson
  • Páginas: 272 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 262 avaliações de leitores

✅ Prós

  • Reúne alguns dos melhores contos da literatura brasileira num volume só
  • "O Espelho" tem doze páginas e é uma tese completa sobre identidade e papel social
  • A introdução de John Gledson é das melhores coisas escritas sobre Machado em qualquer idioma
  • Formato de conto permite ler em pedaços curtos, sem perder nada

⚠️ Contras

  • Contém O Alienista na íntegra — se você já comprou a novela avulsa, vai pagar de novo
  • Só 262 avaliações na Amazon: é bem menos lido que os romances, apesar da qualidade
  • Como toda coletânea, o nível oscila entre um conto e outro

O veredito do Léo

Recomendo, e acho que é o livro mais subestimado do Machado. Todo mundo discute Capitu e ninguém fala do Espelho, que em doze páginas faz o que muito romance não faz em trezentas. Se você tem pouco tempo mas quer Machado de verdade, um conto por noite daqui é o melhor arranjo possível. Só compre atento: O Alienista está aqui dentro.

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Papéis Avulsos — Penguin-Companhia

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6

Memorial de Aires

Machado de Assis · 1908 · Romance / Diário

8.6

Um diplomata aposentado registra no diário o que observa da janela: um casal de velhos, uma viúva jovem, um rapaz. Foi o último livro de Machado, publicado no ano em que ele morreu, logo depois de perder a esposa.

  • Edição indicada: Martin Claret
  • Páginas: 195 páginas
  • Na Amazon: 4,6 de 5, em 440 avaliações de leitores

✅ Prós

  • É o Machado mais sereno e mais melancólico — a ironia continua, mas sem crueldade
  • 195 páginas em formato de diário: entradas curtas, leitura leve
  • O retrato do casal Aguiar envelhecendo junto é dos trechos mais bonitos que ele escreveu
  • Fecha a obra dele de um jeito que faz sentido depois de ler os anteriores

⚠️ Contras

  • Quase nada acontece — é observação pura, e quem quer enredo vai achar vazio
  • Perde muito lido fora de contexto: é um livro de despedida, e precisa da obra atrás dele
  • As edições disponíveis são mais simples que as da Penguin-Companhia dos romances principais

O veredito do Léo

Recomendo por último entre os romances, e com carinho. Memorial de Aires é o Machado velho, viúvo e sem vontade de brigar com ninguém, escrevendo sobre pessoas envelhecendo em paz. Li logo depois de Quincas Borba e o contraste me pegou de jeito: é o mesmo homem que escreveu "ao vencedor, as batatas", agora só olhando pela janela.

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Memorial de Aires — Martin Claret

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7

Esaú e Jacó

Machado de Assis · 1904 · Romance

8.4

Pedro e Paulo são gêmeos que discordam de tudo desde o útero — um monarquista, outro republicano — e se apaixonam pela mesma mulher. Ao fundo, o Brasil troca de regime e descobre que trocou menos do que imaginava.

  • Edição indicada: Principis
  • Páginas: 224 páginas
  • Na Amazon: 4,6 de 5, em 1.355 avaliações de leitores

✅ Prós

  • É o livro mais político dele, e a ironia sobre a Proclamação da República continua atual
  • Flora, disputada pelos dois irmãos, é uma das personagens femininas mais complexas do autor
  • 224 páginas, o mais curto dos romances da fase madura
  • O conselheiro Aires, narrador aqui, reaparece como protagonista em Memorial de Aires

⚠️ Contras

  • A rivalidade dos gêmeos é sustentada por simbolismo mais que por psicologia, e cansa
  • É o menos memorável da fase madura: bom livro cercado de livros excepcionais
  • As edições mais baratas costumam vir sem as notas que o contexto histórico pede

O veredito do Léo

Recomendo pra quem já leu os três grandes. Esaú e Jacó é o Machado observando o Brasil trocar de camisa e continuar o mesmo, o que é um assunto do qual a gente nunca se livra. Terminei achando bom sem achar essencial — e num autor deste tamanho, bom sem ser essencial acaba caindo pro meio da lista.

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Esaú e Jacó — Principis

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8

Helena

Machado de Assis · 1876 · Romance romântico

8.0

Um conselheiro morre e deixa no testamento o reconhecimento de uma filha que ninguém conhecia. Helena chega à casa da família e conquista todo mundo — até que a origem dela começa a ser questionada.

  • Edição indicada: Penguin-Companhia — introdução e notas de Marta de Senna
  • Páginas: 280 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 1.439 avaliações de leitores

✅ Prós

  • É o mais acessível dos romances da primeira fase: enredo claro, romance folhetinesco bem armado
  • Helena é uma protagonista forte para os padrões do romance brasileiro de 1876
  • A edição da Penguin-Companhia, com notas de Marta de Senna, é bem superior às versões baratas
  • Boa porta de entrada para quem gosta de literatura do século XIX e não se dá bem com ironia

⚠️ Contras

  • É Machado antes de virar Machado: o romantismo domina, e falta a ironia que o tornou grande
  • A reviravolta do segredo familiar é previsível para o leitor de hoje
  • Comparado a Brás Cubas, parece livro de outro autor — e em certo sentido é

O veredito do Léo

Recomendo com expectativa ajustada. Helena é um bom romance romântico e um Machado menor — ele mesmo tratava os livros da primeira fase com certa impaciência. Li depois dos grandes e senti falta da voz que eu já conhecia. Se você ama romance do século XIX, vai gostar; se veio pelo Brás Cubas, vai estranhar.

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Helena — Penguin-Companhia

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9

A Mão e a Luva

Machado de Assis · 1874 · Romance romântico

7.7

Guiomar é órfã, pobre e ambiciosa, e tem três pretendentes. O livro acompanha a escolha dela — que é menos sobre amor e mais sobre projeto de vida, num tempo em que mulheres não deveriam ter projeto de vida.

  • Edição indicada: Martin Claret
  • Páginas: 184 páginas
  • Na Amazon: 4,7 de 5, em 991 avaliações de leitores

✅ Prós

  • 184 páginas: o segundo mais curto desta lista
  • Guiomar é a primeira personagem verdadeiramente calculista de Machado, e prenuncia a Capitu
  • Dá pra ver, aqui, a ironia dele começando a aparecer entre as convenções românticas

⚠️ Contras

  • É romance de formação convencional, com pouco do que faria a fama dele
  • Os personagens masculinos são planos e existem apenas em função da escolha da protagonista
  • Só faz sentido para quem quer percorrer a obra inteira — como leitura avulsa, rende pouco

O veredito do Léo

Recomendo apenas para completistas, e é por isso que está em nono. A Mão e a Luva vale pelo que anuncia, não pelo que entrega: a Guiomar é claramente um primeiro esboço da Capitu, e ver isso é interessante. Fora esse prazer arqueológico, é um romance mediano de um autor que escreveria obras-primas sete anos depois.

Quer a análise completa? Leia minha resenha de A Mão e a Luva →

A Mão e a Luva — Martin Claret

É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.

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10

Ressurreição

Machado de Assis · 1872 · Romance romântico

7.4

Félix se apaixona pela viúva Lívia mas é incapaz de confiar nela, e sabota o próprio romance com ciúmes sem fundamento. Foi o primeiro romance de Machado, publicado quando ele tinha 33 anos.

  • Edição indicada: Lafonte
  • Páginas: 136 páginas
  • Na Amazon: 4,7 de 5, em 350 avaliações de leitores

✅ Prós

  • É a estreia dele em romance, e o ciúme sem prova já está aqui — vinte e sete anos antes de Dom Casmurro
  • 136 páginas, o mais curto dos romances
  • Interessa muito a quem quer entender a formação do autor

⚠️ Contras

  • É o mais fraco da obra dele, e o próprio Machado praticamente admitiu isso no prefácio da segunda edição
  • A prosa ainda é a de um autor procurando a própria voz
  • As edições disponíveis são simples, sem aparato crítico

O veredito do Léo

Recomendo por último, e só por curiosidade. Ressurreição é onde tudo começa e é também o livro mais dispensável da lista — o próprio Machado tinha reservas quanto a ele. Li por completismo e o que me pegou foi perceber que o tema do ciúme sem prova já estava lá em 1872, cru, esperando quase três décadas para virar Dom Casmurro. Como leitura, é fraco; como pista, é fascinante.

Quer a análise completa? Leia minha resenha de Ressurreição →

Ressurreição — Lafonte

É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.

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Por onde começar em Machado de Assis

Se você só conhece o Machado da escola, esta é a ordem que eu recomendo:

  1. Primeiro: O Alienista — 80 páginas, uma hora e meia. É o teste mais rápido e mais divertido.
  2. Segundo: Memórias Póstumas de Brás Cubas — o livro que mostra do que ele era capaz.
  3. Terceiro: Dom Casmurro, agora sem a pressão da prova de literatura.
  4. Quarto: Quincas Borba, que é a continuação temática de Memórias Póstumas de Brás Cubas e o mais cruel dos três.
  5. Em paralelo, quando quiser: Papéis Avulsos, um conto por noite.
  6. Depois, se quiser tudo: Memorial de Aires e Esaú e Jacó, e por último os romances da primeira fase, Helena, A Mão e a Luva e Ressurreição.

Os quatro primeiros já dão a você mais Machado do que a maioria dos brasileiros lê na vida inteira — e em menos de mil páginas somadas.

Perguntas frequentes

Quais são as principais obras de Machado de Assis?

As essenciais são a trilogia realista — Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro — mais a novela O Alienista e os contos de Papéis Avulsos. Depois vêm Memorial de Aires e Esaú e Jacó, do fim da vida, e os romances da primeira fase: Helena, A Mão e a Luva e Ressurreição.

Qual é o melhor livro de Machado de Assis?

A maioria das listas responde Dom Casmurro, e é uma resposta defensável — é o mais perfeito e o mais discutido. Meu voto vai para Memórias Póstumas de Brás Cubas, que é o mais inventivo: narrador defunto, capítulos de uma frase e uma dedicatória ao verme que o comeu, tudo isso em 1881. Os dois são excelentes; a diferença é de ousadia.

Qual livro de Machado de Assis ler primeiro?

O Alienista. São 80 páginas e cerca de uma hora e meia de leitura, com humor do começo ao fim. É o menor investimento possível para descobrir se o estilo dele te agrada — e se agradar, Memórias Póstumas de Brás Cubas é o passo seguinte.

Qual a ordem dos livros de Machado de Assis?

Nenhum romance depende do outro, então a ordem de leitura é livre. Cronologicamente, a primeira fase (romântica) vai de Ressurreição, de 1872, até 1878; a fase realista começa em 1881 com Memórias Póstumas de Brás Cubas e vai até Memorial de Aires, de 1908. A única ligação entre livros é o conselheiro Aires, que narra Esaú e Jacó e protagoniza Memorial de Aires.

Capitu traiu Bentinho?

O livro não responde, e essa é a questão. Toda a narrativa de Dom Casmurro vem de Bentinho, já velho e amargurado, e não existe uma única prova apresentada fora da convicção dele. Machado construiu um narrador não confiável décadas antes de o conceito virar termo crítico — a pergunta que o livro realmente faz é sobre o Bentinho, não sobre a Capitu.

Qual o livro mais curto de Machado de Assis?

O Alienista, com 80 páginas, seguido de Ressurreição, com 136. Os dois são os melhores testes de resistência pra quem tem dúvida se vai gostar do autor.

Qual a melhor edição dos livros de Machado de Assis?

Como toda a obra está em domínio público, o mercado é inundado de edições baratas sem revisão nem notas — e o texto de 1880 pede nota de rodapé. As edições da Penguin-Companhia, com estabelecimento de texto e aparato crítico, são as de referência para Memórias Póstumas de Brás Cubas, Dom Casmurro, Quincas Borba, Papéis Avulsos e Helena. Vale pagar a diferença.

Machado de Assis é difícil de ler?

Menos do que a fama sugere. A prosa é clara e os capítulos são curtos. O que trava o leitor de hoje é o vocabulário e as referências ao Rio de Janeiro do século XIX — problema que uma edição com notas resolve quase por completo.

O Alienista está dentro de Papéis Avulsos?

Está, na íntegra. Papéis Avulsos é a coletânea de 1882 que trouxe O Alienista pela primeira vez, junto com "O Espelho" e "A Chinela Turca". Se você comprar os dois, vai pagar duas vezes pela mesma novela — vale escolher um dos caminhos.

Vale a pena ler os livros da primeira fase de Machado?

Só depois dos principais, e sabendo o que esperar. Helena, A Mão e a Luva e Ressurreição são romances românticos convencionais, escritos antes de ele encontrar a ironia que o tornou grande. O próprio Machado tinha reservas quanto a eles. São interessantes como formação do autor, não como obra.

Nunca leu Machado por vontade própria?

Comece por O Alienista. São 80 páginas de humor sobre um médico que resolve internar a cidade inteira — e é o jeito mais rápido de descobrir que Machado não é o que a escola te contou.

Ver O Alienista na Amazon →

Lista revisada e atualizada em 31/08/2026 por Léo Rezende.

Transparência: o Mural dos Livros participa do Programa de Associados da Amazon. Se você comprar por um link daqui, eu recebo uma pequena comissão — sem nenhum custo a mais pra você. Nenhuma editora paga para aparecer melhor posicionada nesta lista; a ordem é minha opinião de leitor, e só.

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