Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Jorge Amado: resenha, prós e contras

Leitura, análise e recomendação
Apaixonado por livros desde sempre, Léo Rezende criou o Mural dos Livros para compartilhar leituras, resenhas e descobertas com quem também não resiste a uma boa estante. Lê de clássico russo a suspense de aeroporto, e conta a verdade sobre os dois.
Dona Flor enviúva de Vadinho, um jogador encantador e imprestável, e casa com Teodoro, farmacêutico correto e previsível. Tudo daria certo se Vadinho não voltasse — pelado, visível só para ela, e disposto a retomar de onde parou.
- Autor: Jorge Amado
- Publicado em: 1966
- Gênero: Romance
- Edição indicada: Companhia das Letras
- Páginas: 488 páginas
- Nota do Léo: 9.2 de 10
- Na Amazon: 4,8 de 5, em 636 avaliações de leitores
A leitura de Dona Flor e Seus Dois Maridos
Dona Flor e Seus Dois Maridos é uma comédia sensacional sobre querer duas coisas incompatíveis ao mesmo tempo, e eu ri alto várias vezes. A piada central — o primeiro marido morto voltando pelado e visível só para ela, enquanto o segundo dorme ao lado — sustenta 488 páginas sem cansar.
A oposição entre os dois maridos é uma tese sobre desejo e respeitabilidade disfarçada de comédia, e a Dona Flor é personagem de carne e osso, não símbolo: ela quer as duas coisas e o livro não a julga por isso. A Bahia da comida, do candomblé e da vizinhança fofoqueira está no melhor nível aqui.
E o filtro precisa ficar ligado. O Vadinho é apresentado como irresistível fazendo coisas que hoje a gente nomeia com outra palavra — ele bate nela, rouba dela, humilha em público — e fingir que isso não está no livro seria desonesto. Leia sabendo: o livro continua ótimo, e você continua com seu juízo. São 488 páginas para uma trama que caberia em trezentas.
Prós e contras de Dona Flor e Seus Dois Maridos
✅ Prós
- É o livro mais engraçado dele, e a piada central sustenta 488 páginas sem cansar
- A oposição entre os dois maridos é uma tese sobre desejo e respeitabilidade disfarçada de comédia
- A Bahia da comida, do candomblé e da vizinhança fofoqueira está no melhor nível aqui
- Dona Flor é personagem de carne e osso, não símbolo — ela quer as duas coisas e o livro não a julga
⚠️ Contras
- 488 páginas para uma trama que caberia em 300 — o meio se demora bastante
- O tratamento do Vadinho como charmoso apesar de tudo (ele bate nela, rouba dela) incomoda muito na leitura de hoje
Para quem é (e para quem não é)
- Leia se você for: quem quer o livro mais engraçado do Jorge Amado, com o filtro crítico ligado.
- Pule se você for: quem não consegue ler um personagem violento sendo apresentado como irresistível.
Vale a pena ler Dona Flor e Seus Dois Maridos? O veredito
O veredito do Léo · nota 9.2/10
Recomendo, com o filtro ligado. Dona Flor é uma comédia sensacional sobre querer duas coisas incompatíveis ao mesmo tempo, e eu ri alto várias vezes. Mas o Vadinho é apresentado como irresistível fazendo coisas que hoje a gente nomeia com outra palavra, e fingir que isso não está lá seria desonesto. Leia sabendo disso — o livro continua ótimo, e você continua com seu juízo.
Dona Flor e Seus Dois Maridos — Companhia das Letras
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Este livro ocupa a 2ª posição em Livros de Jorge Amado: Os 10 Melhores para Começar.
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Perguntas frequentes sobre Dona Flor e Seus Dois Maridos
Dona Flor e Seus Dois Maridos vale a pena?
Quantas páginas tem Dona Flor?
Dona Flor virou filme e novela?
Qual o melhor livro do Jorge Amado?
Dona Flor é machista?
Resenha revisada em 31/08/2026 por Léo Rezende.
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