Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis: resenha, prós e contras

Leitura, análise e recomendação
Apaixonado por livros desde sempre, Léo Rezende criou o Mural dos Livros para compartilhar leituras, resenhas e descobertas com quem também não resiste a uma boa estante. Lê de clássico russo a suspense de aeroporto, e conta a verdade sobre os dois.
Brás Cubas está morto e resolve escrever a própria biografia justamente por isso — livre de qualquer consequência. Dedica o livro ao primeiro verme que roeu seu cadáver e passa 160 capítulos zombando de uma vida que não serviu para nada.
- Autor: Machado de Assis
- Publicado em: 1881
- Gênero: Romance / Sátira
- Edição indicada: Penguin-Companhia
- Páginas: 368 páginas
- Nota do Léo: 9.7 de 10
- Na Amazon: 4,8 de 5, em 15.514 avaliações de leitores
A leitura de Memórias Póstumas de Brás Cubas
Memórias Póstumas de Brás Cubas é o livro mais inventivo já escrito no Brasil, e o mais moderno. Capítulos de meia página, alguns com uma frase só, um deles feito apenas de pontos — em 1881. O narrador está morto e escreve a própria biografia justamente por isso: livre de qualquer consequência.
E é engraçadíssimo. Quase ninguém avisa isso antes de você abrir o livro. Machado dedica a obra ao primeiro verme que roeu seu cadáver, interrompe a narração para reclamar do leitor, inventa uma filosofia inteira só para debochar dela. Reli ano passado e ri alto duas vezes no ônibus, o que rendeu olhares.
As duas dificuldades reais são a estrutura, que desorienta quem espera progressão, e as piadas que dependem do Rio de Janeiro do século XIX. Por isso a edição da Penguin-Companhia vale o que custa: as notas resolvem as referências datadas sem atrapalhar a leitura. Sei que discordo da maioria das listas, que coroam Dom Casmurro — mas ousadia me pega mais.
Prós e contras de Memórias Póstumas de Brás Cubas
✅ Prós
- Capítulos de meia página, alguns com uma frase só, um deles feito apenas de pontos — em 1881
- É engraçadíssimo, e quase ninguém avisa isso antes de você abrir o livro
- O narrador morto permite uma sinceridade que nenhum narrador vivo teria, e Machado usa isso até o fim
- A edição da Penguin-Companhia traz notas que resolvem as referências datadas sem atrapalhar a leitura
⚠️ Contras
- A estrutura fragmentada desorienta quem espera enredo com progressão
- Várias piadas dependem do Rio de Janeiro do século XIX e só funcionam com a nota de rodapé
Para quem é (e para quem não é)
- Leia se você for: quem acha que clássico brasileiro é sisudo e nunca lhe mostraram o contrário.
- Pule se você for: quem precisa de enredo com progressão — aqui a estrutura é fragmentada de propósito.
Vale a pena ler Memórias Póstumas de Brás Cubas? O veredito
O veredito do Léo · nota 9.7/10
Recomendo em primeiro lugar, e sei que discordo da maioria das listas — quase todas coroam Dom Casmurro. Mas Brás Cubas é o livro mais inventivo já escrito no Brasil, e o mais moderno: capítulo de uma frase, narrador defunto, piada com o leitor. Reli ano passado e ri alto duas vezes no ônibus, o que rendeu olhares. Se você acha que Machado é chato, o problema foi te apresentarem pelo livro errado.
Memórias Póstumas de Brás Cubas — Penguin-Companhia
É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.
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Perguntas frequentes sobre Memórias Póstumas de Brás Cubas
Memórias Póstumas de Brás Cubas vale a pena?
Memórias Póstumas ou Dom Casmurro?
Memórias Póstumas de Brás Cubas é difícil?
Qual a melhor edição de Memórias Póstumas de Brás Cubas?
Quantas páginas tem Memórias Póstumas de Brás Cubas?
Resenha revisada em 31/08/2026 por Léo Rezende.
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