Livros de Shakespeare: as 10 Melhores Peças para Começar

Leitura, análise e recomendação
Apaixonado por livros desde sempre, Léo Rezende criou o Mural dos Livros para compartilhar leituras, resenhas e descobertas com quem também não resiste a uma boa estante. Lê de clássico russo a suspense de aeroporto, e conta a verdade sobre os dois.
Ninguém abandona Shakespeare por causa de Shakespeare. Abandona por causa de uma tradução ruim em letra miúda comprada por doze reais, com o texto em prosa quando devia estar em verso e sem uma nota de rodapé para explicar de que século é a piada.
Por isso esta lista faz duas coisas ao mesmo tempo: diz por qual peça começar e diz qual edição comprar. As traduções de Lawrence Flores Pereira e José Francisco Botelho, publicadas pela Penguin-Companhia, são de outro patamar — e a diferença aparece na primeira página.
Cada peça tem prós, contras e o meu veredito. Inclusive duas que hoje são desconfortáveis de ler pelo que carregam, e que estão aqui com o motivo dito com todas as letras.

Comparativo rápido das 10 melhores peças de Shakespeare
A nota é minha, de leitor, de 0 a 10. A avaliação da Amazon aparece na ficha de cada livro, atribuída a ela — são coisas diferentes e não faz sentido misturar.
| # | Livro | Gênero | Páginas | Nota do Léo | Ideal para |
|---|---|---|---|---|---|
| 1 | Hamlet William Shakespeare |
Tragédia | 320 | 9.5 | Quem quer a peça mais importante já escrita, em tradução decente |
| 2 | Macbeth William Shakespeare |
Tragédia | 128 | 9.2 | Quem quer a tragédia mais rápida e mais sombria de todas |
| 3 | Romeu e Julieta William Shakespeare |
Tragédia | 248 | 9.0 | Quem quer a porta de entrada mais fácil em Shakespeare |
| 4 | Otelo William Shakespeare |
Tragédia | 328 | 8.9 | Quem quer o melhor vilão da literatura |
| 5 | Rei Lear William Shakespeare |
Tragédia | 320 | 8.8 | Quem quer a tragédia mais dura e mais adulta do conjunto |
| 6 | Júlio César William Shakespeare |
Tragédia histórica | 184 | 8.6 | Quem quer a melhor peça política dele |
| 7 | Sonho de uma Noite de Verão William Shakespeare |
Comédia | 115 | 8.5 | Quem acha que Shakespeare é só tragédia pesada |
| 8 | A Tempestade William Shakespeare |
Comédia dramática | 128 | 8.3 | Quem quer a última peça que ele escreveu sozinho |
| 9 | O Mercador de Veneza William Shakespeare |
Comédia | 97 | 8.0 | Quem quer a peça mais discutida e mais desconfortável do conjunto |
| 10 | A Megera Domada William Shakespeare |
Comédia | 136 | 7.6 | Quem quer a comédia mais popular e mais problemática dele |
As 10 melhores peças de Shakespeare, uma a uma
Hamlet
William Shakespeare · 1600 · Tragédia
9.5
O príncipe da Dinamarca recebe do fantasma do pai a notícia de que foi assassinado pelo tio, que agora reina e dormiu com a mãe dele. Hamlet passa cinco atos decidindo se acredita, se age e o que isso significa.
- Edição indicada: Penguin-Companhia — tradução e notas de Lawrence Flores Pereira
- Páginas: 320 páginas
- Na Amazon: 4,8 de 5, em 3.749 avaliações de leitores
✅ Prós
- Peça de Shakespeare mais avaliada do Brasil: 3.749 avaliações com média 4,8
- A tradução do Lawrence Flores Pereira é a melhor disponível em português, e faz muita diferença
- É a origem de metade das frases feitas que você usa sem saber de onde vieram
- As notas e a introdução desta edição resolvem praticamente todas as dúvidas de contexto
⚠️ Contras
- É a mais longa das peças dele e tem trechos que se arrastam mesmo em boa tradução
- O texto em versos exige um ajuste de leitura que leva um ato inteiro para acontecer
- Sem as notas de rodapé, boa parte dos trocadilhos e referências se perde
O veredito do Léo
Recomendo em primeiro lugar, e a escolha da edição importa mais aqui do que em qualquer outro livro do site. Hamlet em tradução ruim vira uma coisa empoeirada e chata; nesta, é um thriller psicológico sobre um sujeito que não consegue agir. Leia com as notas ao lado, sem culpa nenhuma.
Quer a análise completa? Leia minha resenha de Hamlet →
Hamlet — Penguin-Companhia
É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.
Macbeth
William Shakespeare · 1606 · Tragédia
9.2
Três bruxas dizem a um general escocês que ele será rei. A mulher dele o convence a acelerar a profecia com uma faca. O resto da peça é o que a culpa faz com dois assassinos que conseguiram exatamente o que queriam.
- Edição indicada: Principis
- Páginas: 128 páginas
- Na Amazon: 4,8 de 5, em 1.312 avaliações de leitores
✅ Prós
- 128 páginas: é a mais curta das grandes tragédias e a mais rápida de ler
- 1.312 avaliações com média 4,8, e a edição da Principis é barata e bem impressa
- Lady Macbeth é a personagem mais assustadora do teatro ocidental, e não precisa de nenhuma cena de horror para isso
- A escalada de culpa é psicologicamente perfeita e cabe em cinco atos curtos
⚠️ Contras
- A edição barata não traz notas, e algumas referências exigem consulta externa
- É a mais sombria de todas — não há alívio cômico que preste em nenhum ato
- O quarto ato, com as aparições, é o ponto fraco e destoa do resto
O veredito do Léo
Recomendo logo depois do Hamlet, e é a que eu mais releio. Macbeth tem 128 páginas e faz nelas o que romances de 500 tentam: mostrar duas pessoas se destruindo por dentro depois de conseguir o que queriam. A cena da mancha de sangue que não sai da mão continua sendo a melhor imagem de culpa já criada.
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Macbeth — Principis
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Romeu e Julieta
William Shakespeare · 1597 · Tragédia
9.0
Duas famílias em guerra em Verona, dois adolescentes que se apaixonam em uma noite e morrem em menos de uma semana. Todo mundo conhece o final, e é justamente por isso que a peça funciona.
- Edição indicada: Penguin-Companhia — tradução e notas de José Francisco Botelho
- Páginas: 248 páginas
- Na Amazon: 4,8 de 5, em 2.219 avaliações de leitores
✅ Prós
- É a peça mais fácil de acompanhar: trama simples, ritmo rápido, 248 páginas
- 2.219 avaliações com média 4,8
- A tradução em verso do José Francisco Botelho é ousada e mantém a musicalidade do original
- Funciona muito bem como primeira leitura de teatro em geral, não só de Shakespeare
⚠️ Contras
- Todo mundo já sabe o final, o que tira tensão dos dois últimos atos
- Os protagonistas são adolescentes impulsivos, e ler adulto dá alguma vontade de sacudi-los
- É a peça mais adaptada da história, e chegar ao texto original depois de tanta versão é estranho
O veredito do Léo
Recomendo como estreia em Shakespeare. Romeu e Julieta é a peça em que menos se perde por não conhecer o contexto, e a tradução em verso do Botelho é uma escolha corajosa que deu muito certo. Reler adulto é interessante: a peça é bem menos romântica e bem mais sobre a burrice dos adultos do que a fama sugere.
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Romeu e Julieta — Penguin-Companhia
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Otelo
William Shakespeare · 1603 · Tragédia
8.9
Iago, preterido numa promoção, decide destruir o general que serve. Faz isso sem violência: apenas plantando na cabeça de Otelo a ideia de que a esposa o trai. Funciona em cinco atos.
- Edição indicada: Penguin-Companhia — tradução, introdução e notas de Lawrence Flores Pereira
- Páginas: 328 páginas
- Na Amazon: 4,8 de 5, em 899 avaliações de leitores
✅ Prós
- Iago é o vilão mais bem construído do teatro ocidental, e ele age quase só com palavras
- 899 avaliações com média 4,8 e a mesma tradução excelente do Hamlet
- A peça é um estudo sobre como uma suspeita se torna certeza, e isso não envelheceu nada
- 328 páginas com introdução que trata do racismo na peça sem varrer nada para debaixo do tapete
⚠️ Contras
- É desconfortável do começo ao fim: você vê a armadilha se fechando e não pode fazer nada
- O tratamento dado a Desdêmona é difícil de engolir mesmo entendendo o contexto
- A peça trata da condição de Otelo como mouro de forma que exige leitura crítica hoje
O veredito do Léo
Recomendo, e é a peça em que Shakespeare está mais afiado em psicologia. Otelo é insuportável no melhor sentido: você acompanha o Iago montando a mentira peça por peça, sabendo onde vai dar. A introdução desta edição enfrenta a questão racial da peça de frente, o que é raro e necessário.
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Otelo — Penguin-Companhia
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Rei Lear
William Shakespeare · 1606 · Tragédia
8.8
Um rei velho divide o reino entre as filhas conforme o quanto cada uma disser que o ama. A que se recusa a bajular é deserdada. As outras duas o expulsam. A peça é o que acontece com um homem que perde tudo, inclusive a razão.
- Edição indicada: Penguin-Companhia — introdução de Lawrence Flores Pereira
- Páginas: 320 páginas
- Na Amazon: 4,8 de 5, em 579 avaliações de leitores
✅ Prós
- É considerada por boa parte da crítica a maior tragédia dele, à frente até do Hamlet
- Nota 4,8 e edição com introdução que orienta bem a leitura
- A cena da tempestade na charneca é o ponto mais alto do teatro em língua inglesa
- Envelhecimento, ingratidão familiar e perda de autonomia — os temas ficaram mais atuais, não menos
⚠️ Contras
- Só 579 avaliações: é bem menos lida que as outras tragédias, e o motivo é a dureza
- É a mais desoladora de todas: não há redenção em lugar nenhum, e o final não dá trégua
- A trama paralela de Gloucester duplica a estrutura e alonga uma peça já longa
O veredito do Léo
Recomendo para quem já leu duas ou três, nunca como estreia. Rei Lear é provavelmente o melhor que Shakespeare escreveu e é também o mais difícil de atravessar — é uma peça sobre perder tudo e não recuperar nada. Li adulto, com pai vivo, e mexeu de um jeito que aos vinte anos não teria mexido.
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Rei Lear — Penguin-Companhia
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Júlio César
William Shakespeare · 1599 · Tragédia histórica
8.6
Um grupo de senadores conspira para matar César antes que ele se torne rei. Brutus adere por convicção republicana. A peça é sobre o que acontece depois, quando Marco Antônio faz um discurso no funeral e vira a multidão contra eles.
- Edição indicada: Penguin-Companhia
- Páginas: 184 páginas
- Na Amazon: 4,8 de 5, em 850 avaliações de leitores
✅ Prós
- O discurso de Marco Antônio no funeral é a melhor aula de manipulação retórica já escrita
- 850 avaliações com média 4,8 e 184 páginas de ritmo excelente
- É a peça mais direta e mais fácil de acompanhar entre as tragédias
- Brutus é o raro personagem shakespeariano que erra por convicção sincera, e isso o torna trágico de verdade
⚠️ Contras
- O protagonista do título morre no terceiro ato, e quem não sabe disso estranha
- A segunda metade, com as batalhas, é bem inferior à primeira
- Exige alguma noção da política romana para as motivações fazerem sentido
O veredito do Léo
Recomendo como a melhor peça política do conjunto. O discurso do Marco Antônio — que começa dizendo que veio enterrar César, não louvá-lo, e termina com a multidão querendo linchar os conspiradores — deveria ser leitura obrigatória para qualquer pessoa que consome discurso público. A segunda metade cai, e mesmo assim vale.
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Júlio César — Penguin-Companhia
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Sonho de uma Noite de Verão
William Shakespeare · 1596 · Comédia
8.5
Quatro jovens fogem para uma floresta, um grupo de artesãos ensaia uma peça terrível no mesmo lugar, e as fadas que moram ali resolvem se meter usando uma flor que faz qualquer um se apaixonar por quem vir primeiro.
- Edição indicada: Martin Claret
- Páginas: 115 páginas
- Na Amazon: 4,5 de 5, em 1.619 avaliações de leitores
✅ Prós
- 1.619 avaliações — é a comédia mais lida dele no Brasil
- 115 páginas: a mais curta desta lista e a mais leve de todas
- A peça dentro da peça, encenada pelos artesãos, é hilária e continua funcionando
- É a melhor prova de que Shakespeare escrevia comédia tão bem quanto tragédia
⚠️ Contras
- Menor nota da lista junto com A Tempestade: 4,5 — várias críticas citam a qualidade desta edição
- A confusão amorosa entre os quatro jovens é fácil de perder de vista
- A poção que faz alguém se apaixonar à força é um recurso que hoje soa bem mais problemático
O veredito do Léo
Recomendo como respiro no meio das tragédias. Sonho de uma Noite de Verão é leve, curta e genuinamente engraçada — a cena dos artesãos encenando Píramo e Tisbe arrancou risada de mim quatrocentos anos depois. A ressalva é de edição: a nota 4,5 reflete o acabamento, não a peça.
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Sonho de uma Noite de Verão — Martin Claret
É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.
A Tempestade
William Shakespeare · 1611 · Comédia dramática
8.3
Próspero, duque deposto, vive há doze anos numa ilha com a filha e dois servos — um espírito e um nativo escravizado. Quando o navio dos inimigos passa perto, ele provoca uma tempestade e traz todos para terra.
- Edição indicada: L&PM Pocket
- Páginas: 128 páginas
- Na Amazon: 4,5 de 5, em 691 avaliações de leitores
✅ Prós
- É a última peça que Shakespeare escreveu sozinho, e se lê como despedida do teatro
- 128 páginas em edição de bolso barata, fácil de carregar
- Caliban é um dos personagens mais debatidos da literatura, e a leitura pós-colonial da peça é riquíssima
- 691 avaliações e uma trama contida, numa única ilha, num único dia
⚠️ Contras
- Menor nota da lista junto com Sonho de uma Noite de Verão: 4,5
- Próspero controla tudo o tempo todo, o que reduz muito a tensão dramática
- A edição de bolso não traz notas, e a peça tem passagens que pedem contexto
O veredito do Léo
Recomendo para quem já leu as principais e quer fechar o ciclo. A Tempestade é o Shakespeare se despedindo, e o discurso final do Próspero renunciando à magia é difícil de não ler como o autor largando a pena. A tensão dramática é baixa de propósito. O interesse está em outro lugar — principalmente em Caliban, que a peça trata como monstro e o leitor de hoje enxerga de outro jeito.
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A Tempestade — L&PM Pocket
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O Mercador de Veneza
William Shakespeare · 1600 · Comédia
8.0
Um mercador toma dinheiro emprestado do agiota Shylock e assina um contrato garantido por uma libra da própria carne. Quando não consegue pagar, a peça vira um julgamento sobre justiça, misericórdia e vingança.
- Edição indicada: Edições Livre
- Páginas: 97 páginas
- Na Amazon: 4,6 de 5, em 1.431 avaliações de leitores
✅ Prós
- 1.431 avaliações e uma das peças mais discutidas de toda a obra dele
- 97 páginas: é a mais curta desta lista inteira
- O discurso de Shylock sobre a humanidade compartilhada é um dos grandes momentos do teatro
- A cena do julgamento é impecável em construção dramática
⚠️ Contras
- O antissemitismo da peça é real e estrutural, não é só leitura de época — é preciso encarar isso
- Está classificada como comédia e o efeito hoje é qualquer coisa menos cômico
- Esta edição barata não traz nenhum aparato crítico, que aqui faz muita falta
O veredito do Léo
Recomendo com uma ressalva grande e explícita: O Mercador de Veneza tem antissemitismo estrutural, e nenhuma leitura generosa dá conta de dissolver isso. Ao mesmo tempo, Shylock recebe o discurso mais humano da peça, o que torna tudo mais complicado e mais interessante. Se for ler, leia numa edição com introdução — e esta não tem.
Quer a análise completa? Leia minha resenha de O Mercador de Veneza →
O Mercador de Veneza — Edições Livre
É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.
A Megera Domada
William Shakespeare · 1594 · Comédia
7.6
Petrúquio se casa com Catarina, mulher de temperamento forte, com o objetivo declarado de dobrá-la. A peça acompanha os métodos que ele usa e termina com o discurso de submissão dela.
- Edição indicada: FTD
- Páginas: 136 páginas
- Na Amazon: 4,8 de 5, em 936 avaliações de leitores
✅ Prós
- Nota 4,8 com 936 avaliações e 136 páginas de ritmo cômico rápido
- Os diálogos entre Catarina e Petrúquio são os mais afiados de todas as comédias dele
- É a peça mais adaptada para o cinema e a televisão, o que dá muito material de comparação
- A edição da FTD é escolar, barata e vem com material de apoio útil
⚠️ Contras
- A premissa é a domesticação de uma mulher, e o discurso final de submissão é difícil de defender
- As leituras irônicas da peça são possíveis, mas o texto não dá muito apoio a elas
- É a mais datada do conjunto, e a distância entre o humor de 1594 e o de hoje é enorme
O veredito do Léo
Recomendo com franqueza sobre o que ela é. A Megera Domada tem os diálogos mais rápidos de todas as comédias e uma premissa que hoje é indefensável — as duas coisas ao mesmo tempo. Ler é interessante justamente pelo desconforto: dá para admirar a construção e recusar a moral, sem precisar escolher uma das duas.
Quer a análise completa? Leia minha resenha de A Megera Domada →
A Megera Domada — FTD
É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.
Por onde começar em Shakespeare
A ordem que eu recomendo, e ela não tem nada a ver com a cronológica:
- Primeiro: Romeu e Julieta — 248 páginas, trama simples e você já conhece a história.
- Em seguida: Macbeth, com só 128 páginas e a escalada de culpa mais bem construída do teatro.
- Para respirar: Sonho de uma Noite de Verão, a comédia mais leve dele, em 115 páginas.
- Aí a peça central: Hamlet, a mais importante e a mais longa.
- Para psicologia pura: Otelo, com o melhor vilão da literatura.
- Para política: Júlio César, com o discurso mais bem construído já escrito.
- Quando estiver pronto para o mais duro: Rei Lear.
- Por último: A Tempestade, O Mercador de Veneza e A Megera Domada — a despedida e as duas mais desconfortáveis.
Com Romeu e Julieta e Macbeth você gasta menos de 400 páginas e cobre uma tragédia romântica e uma tragédia de poder. Se essas duas não te pegarem, o problema não é a edição.
Perguntas frequentes
Qual peça de Shakespeare ler primeiro?
Qual a melhor tradução de Shakespeare em português?
Qual o melhor livro de Shakespeare?
Qual a peça mais curta de Shakespeare?
Shakespeare escreveu comédia?
Preciso ler Shakespeare em ordem?
Por que O Mercador de Veneza é polêmico?
Vale a pena ler A Megera Domada hoje?
Qual peça de Shakespeare é a mais difícil?
Shakespeare escreveu poesia além das peças?
Se for testar Shakespeare com uma peça só
Teste com Macbeth. São 128 páginas, nota 4,8 na Amazon com 1.312 avaliações, e nelas cabe a melhor construção de culpa já escrita para o teatro.
Lista revisada e atualizada em 31/08/2026 por Léo Rezende.
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