Os 10 Melhores Livros da Literatura Russa (por Onde Começar)

🎯 Resposta direta: Os 10 melhores livros da literatura russa são Os Irmãos Karamázov, Anna Kariênina, A Morte de Ivan Ilitch, Crime e Castigo, Memórias do Subsolo, Guerra e Paz, O Mestre e Margarida, O Idiota, Pais e Filhos e Doutor Jivago. Não comece por Os Irmãos Karamázov nem por Guerra e Paz: comece por Memórias do Subsolo, que tem 152 páginas, ou por A Morte de Ivan Ilitch, que tem 93. Em uma tarde você descobre se o assunto é para você.
Léo Rezende

Por Léo Rezende
Leitura, análise e recomendação

Apaixonado por livros desde sempre, Léo Rezende criou o Mural dos Livros para compartilhar leituras, resenhas e descobertas com quem também não resiste a uma boa estante. Lê de clássico russo a suspense de aeroporto, e conta a verdade sobre os dois.

Literatura russa tem uma fama que afasta metade das pessoas: livros de mil páginas, personagens com quatro nomes cada e sofrimento sem trégua. Duas dessas três coisas são verdade — e nenhuma delas precisa ser o seu primeiro contato com o assunto.

Existem duas portas de entrada de menos de duzentas páginas nesta lista, e as duas são obras-primas. Uma tem 93 páginas e é a melhor coisa já escrita sobre morrer; a outra tem 152 e inventou o anti-herói moderno. Os monumentos ficam para depois, quando você já souber se quer entrar.

Cada livro tem prós, contras e o meu veredito — incluindo qual tradução vale a pena, que nesse assunto muda tudo: tradução direta do russo e tradução de tradução são experiências diferentes, e o preço quase não muda.

Ilustração de Os 10 Melhores Livros da Literatura Russa (por Onde Começar)

Comparativo rápido dos 10 melhores livros da literatura russa

A nota é minha, de leitor, de 0 a 10. A avaliação da Amazon aparece na ficha de cada livro, atribuída a ela — são coisas diferentes e não faz sentido misturar.

# Livro Gênero Páginas Nota do Léo Ideal para
1 Os Irmãos Karamázov
Fiódor Dostoiévski
Romance 920 9.7 Quem quer o maior romance já escrito, e tem fôlego
2 Anna Kariênina
Liev Tolstói
Romance 808 9.5 Quem quer o romance mais bem construído da literatura russa
3 A Morte de Ivan Ilitch
Liev Tolstói
Novela 93 9.4 Quem quer a maior novela já escrita, em 93 páginas
4 Crime e Castigo
Fiódor Dostoiévski
Romance psicológico 592 9.3 Quem gosta de thriller e quer subir de nível
5 Memórias do Subsolo
Fiódor Dostoiévski
Novela 152 9.3 Quem quer entrar na literatura russa em 152 páginas
6 Guerra e Paz
Liev Tolstói
Romance 1544 9.2 Quem quer o romance mais ambicioso já escrito
7 O Mestre e Margarida
Mikhail Bulgákov
Romance 408 9.1 Quem quer o russo mais divertido e mais estranho
8 O Idiota
Fiódor Dostoiévski
Romance 712 9.0 Quem quer o romance mais comovente do Dostoiévski
9 Pais e Filhos
Ivan Turguêniev
Romance 344 8.7 Quem quer o russo mais acessível de todos
10 Doutor Jivago
Boris Pasternak
Romance 616 8.4 Quem quer o russo do século XX que a União Soviética proibiu

Os 10 melhores livros da literatura russa, um a um

1

Os Irmãos Karamázov

Fiódor Dostoiévski · 1880 · Romance

9.7

Três irmãos com temperamentos opostos — o sensual, o intelectual e o místico — e o pai que todos têm motivo para odiar. Quando ele é assassinado, o romance vira julgamento, e o julgamento vira uma discussão sobre Deus, culpa e liberdade.

  • Edição indicada: Martin Claret
  • Páginas: 920 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 4.062 avaliações de leitores

✅ Prós

  • É considerado por boa parte da crítica o maior romance já escrito, e a comparação não é exagero
  • 4.062 avaliações com média 4,8
  • O capítulo do Grande Inquisidor é o melhor texto de filosofia dentro de uma ficção que existe
  • Cada irmão sustenta uma visão de mundo completa, e Dostoiévski não trapaceia a favor de nenhuma

⚠️ Contras

  • 920 páginas com dezenas de personagens e patronímicos russos que confundem no começo
  • Longas digressões teológicas travam a narrativa por capítulos inteiros
  • A edição da Martin Claret é a mais vendida e não é tradução direta do russo — quem puder, prefira a da Editora 34

O veredito do Léo

Recomendo em primeiro lugar, e é o melhor romance que eu já li. Os Irmãos Karamázov é o livro em que a literatura chega mais perto de discutir tudo ao mesmo tempo — fé, culpa, liberdade, família — sem virar tratado. As 920 páginas assustam e valem. Se puder, compre a tradução direta do russo.

Quer a análise completa? Leia minha resenha de Os Irmãos Karamázov →

Os Irmãos Karamázov — Martin Claret

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2

Anna Kariênina

Liev Tolstói · 1878 · Romance

9.5

Anna abandona o casamento e o filho por uma paixão, e a sociedade de São Petersburgo a devora por isso. Em paralelo, Liévin busca sentido no campo. As duas histórias nunca se explicam uma à outra, e é isso que faz o livro.

  • Edição indicada: Companhia das Letras
  • Páginas: 808 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 6.445 avaliações de leitores

✅ Prós

  • Livro russo mais avaliado desta lista: 6.445 avaliações com média 4,8
  • É o mais bem construído da literatura russa — Tolstói controla oitocentas páginas sem uma falha de ritmo
  • A primeira frase é a mais citada da história do romance, e o livro sustenta a promessa dela
  • A trama paralela de Liévin, que quase todo mundo acha chata, é onde está a melhor parte

⚠️ Contras

  • 808 páginas e os capítulos sobre agricultura russa derrubam metade dos leitores
  • A quantidade de nomes, com patronímicos e apelidos para o mesmo personagem, exige anotação
  • O julgamento moral do narrador sobre Anna incomoda bastante o leitor de hoje

O veredito do Léo

Recomendo como o mais bem construído dos russos. Anna Kariênina é a prova de que dá para escrever oitocentas páginas sem uma cena desperdiçada. O truque para não desistir: não pule os capítulos do Liévin no campo — eles parecem digressão e são a resposta que o livro dá à história da Anna.

Quer a análise completa? Leia minha resenha de Anna Kariênina →

Anna Kariênina — Companhia das Letras

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3

A Morte de Ivan Ilitch

Liev Tolstói · 1886 · Novela

9.4

Um juiz bem-sucedido adoece e descobre que vai morrer. O livro acompanha os últimos meses dele, a hipocrisia da família e a pergunta que só aparece no fim: e se a vida inteira tiver sido errada?

  • Edição indicada: Principis — edição digital
  • Páginas: 93 páginas
  • Na Amazon: 4,7 de 5, em 10.617 avaliações de leitores

✅ Prós

  • Livro russo mais avaliado desta lista: 10.617 avaliações
  • 93 páginas: é o mais curto e provavelmente o mais impactante de toda esta lista
  • É a melhor coisa já escrita sobre morrer, e não usa nenhum efeito para isso
  • Não exige nenhum conhecimento prévio de literatura russa

⚠️ Contras

  • O tema é exatamente o que o título diz, e não há nenhum alívio em nenhuma página
  • A edição mais lida é digital de catálogo econômico, sem tradução direta do russo
  • Quem está passando por perda recente deve escolher outro momento para ler

O veredito do Léo

Recomendo com entusiasmo e com cuidado. A Morte de Ivan Ilitch tem 93 páginas e é a coisa mais forte desta lista inteira — a cena em que ele percebe que a vida toda foi uma sequência de escolhas confortáveis e erradas fica com você por anos. Não leia num momento de luto. Fora isso, leia.

Quer a análise completa? Leia minha resenha de A Morte de Ivan Ilitch →

A Morte de Ivan Ilitch — Principis

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4

Crime e Castigo

Fiódor Dostoiévski · 1866 · Romance psicológico

9.3

Um estudante pobre em São Petersburgo mata uma velha agiota pra provar uma tese sobre homens extraordinários. O crime acontece no começo. As outras 500 páginas são o castigo — e ele é bem pior que a cadeia.

  • Edição indicada: Editora 34 — tradução direta do russo por Paulo Bezerra
  • Páginas: 592 páginas
  • Na Amazon: 4,9 de 5, em 4.264 avaliações de leitores

✅ Prós

  • É o melhor thriller psicológico já escrito, e foi escrito antes de o gênero existir
  • A tradução direta do russo de Paulo Bezerra é a referência no Brasil — vale pagar por ela
  • Porfiry Petrovich é o interrogador mais assustador da literatura, e ele nunca levanta a voz
  • A maior nota da lista na Amazon: 4,9 de 5 em mais de 4 mil avaliações

⚠️ Contras

  • 592 páginas, e as primeiras 80 são um homem febril andando em círculos por São Petersburgo
  • Cada personagem russo tem nome, patronímico e apelido — ou seja, três nomes que você precisa aprender a reconhecer como a mesma pessoa

O veredito do Léo

Recomendo, mas não como primeiro clássico. Este é o livro que mais me custou começar e o que mais me pagou de volta: por volta da página 150 ele deixa de ser dever de casa e vira vício. Se você já leu 1984 e sentiu que dava conta de mais, é aqui que você vai. Se está voltando a ler agora, guarde para o ano que vem — e não, ler o resumo antes não estraga nada, porque o assassinato nunca foi o mistério.

Quer a análise completa? Leia minha resenha de Crime e Castigo →

Crime e Castigo — Editora 34

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5

Memórias do Subsolo

Fiódor Dostoiévski · 1864 · Novela

9.3

Um funcionário público aposentado escreve de um porão em São Petersburgo, atacando a razão, o progresso e principalmente a si mesmo. É o monólogo de um homem que sabe exatamente o quanto é desprezível e escolhe continuar assim.

  • Edição indicada: Editora 34 — tradução direta do russo de Boris Schnaiderman
  • Páginas: 152 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 4.213 avaliações de leitores

✅ Prós

  • 152 páginas: é a porta de entrada mais barata e mais rápida para a literatura russa
  • 4.213 avaliações e tradução direta do russo por Boris Schnaiderman, que é a melhor disponível
  • Fundou o anti-herói moderno — praticamente todo narrador rancoroso da literatura veio daqui
  • A primeira parte, o monólogo puro, é uma das coisas mais impressionantes já escritas

⚠️ Contras

  • O narrador é hostil de propósito e passa cem páginas se contradizendo, o que irrita muita gente
  • A segunda parte, narrativa, é bem inferior à primeira
  • É desconfortável do começo ao fim, sem nenhum alívio

O veredito do Léo

Recomendo como a melhor estreia possível nos russos. São 152 páginas e você descobre em uma tarde se aguenta o Dostoiévski — porque o narrador é insuportável de propósito, e essa é a experiência inteira. Se você terminar irritado e impressionado ao mesmo tempo, pode partir para Crime e Castigo.

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Memórias do Subsolo — Editora 34

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6

Guerra e Paz

Liev Tolstói · 1869 · Romance

9.2

Cinco famílias da aristocracia russa atravessam as guerras napoleônicas, da vida de salão à invasão de Moscou. São mais de quinhentos personagens, e Tolstói entra na cabeça de dezenas deles.

  • Edição indicada: Companhia das Letras
  • Páginas: 1544 páginas
  • Na Amazon: 4,9 de 5, em 4.467 avaliações de leitores

✅ Prós

  • Maior nota desta lista: 4,9 na Amazon, com 4.467 avaliações
  • É o romance mais ambicioso já tentado, e o espantoso é que funciona
  • As cenas de batalha vistas por soldados que não entendem o que está acontecendo mudaram a literatura de guerra para sempre
  • 1.544 páginas com uma quantidade de personagens vivos que nenhum outro romance alcançou

⚠️ Contras

  • 1.544 páginas: é o mais longo do site inteiro e exige meses de compromisso
  • Os ensaios de Tolstói sobre filosofia da história, principalmente no fim, são áridos e longos
  • É preciso anotar os nomes: com quinhentos personagens, ninguém acompanha de cabeça

O veredito do Léo

Recomendo para quem já leu outros russos e quer o monumento. Guerra e Paz é menos difícil do que a fama sugere — a prosa é clara e as cenas são vivas —, e é simplesmente muito longo. Os ensaios sobre história dá para ler em diagonal sem culpa. O resto é a maior coisa que o romance já produziu.

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Guerra e Paz — Companhia das Letras

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7

O Mestre e Margarida

Mikhail Bulgákov · 1967 · Romance

9.1

O diabo chega a Moscou dos anos 1930 com um gato falante e um séquito, e desmonta a burocracia soviética pelo escárnio. Em paralelo, o romance conta a história de Pôncio Pilatos. O livro só foi publicado vinte e seis anos após a morte do autor.

  • Edição indicada: Editora 34 — tradução direta do russo
  • Páginas: 408 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 1.109 avaliações de leitores

✅ Prós

  • Nota 4,8 e é o único russo desta lista que é genuinamente engraçado
  • A sátira à burocracia soviética é feroz e continua funcionando em qualquer burocracia
  • 408 páginas de imaginação solta — gato falante, baile do diabo, Jerusalém antiga na mesma trama
  • Foi escrito em segredo sob Stálin, e o autor queimou uma versão antes de reescrevê-la de memória

⚠️ Contras

  • Só 1.109 avaliações: é bem menos lido que os clássicos do século XIX
  • As duas linhas narrativas demoram a se conectar, e a de Pilatos parece deslocada até o fim
  • A sátira exige alguma noção da vida cotidiana na União Soviética dos anos 1930

O veredito do Léo

Recomendo para quem acha que literatura russa é toda sofrimento — este é a prova do contrário. O Mestre e Margarida tem um gato gigante que fala e atira, e isso está no mesmo livro que a melhor releitura de Pôncio Pilatos que eu conheço. É estranho, é engraçado e é dos mais originais que já li.

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O Mestre e Margarida — Editora 34

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8

O Idiota

Fiódor Dostoiévski · 1869 · Romance

9.0

O príncipe Míchkin volta de um sanatório suíço para a Rússia sendo genuinamente bom, sem nenhuma malícia. A sociedade de São Petersburgo não sabe o que fazer com isso, e o chama de idiota.

  • Edição indicada: Editora 34 — tradução direta do russo de Paulo Bezerra
  • Páginas: 712 páginas
  • Na Amazon: 4,6 de 5, em 4.555 avaliações de leitores

✅ Prós

  • 4.555 avaliações e tradução direta do russo de Paulo Bezerra, referência no assunto
  • A pergunta central — o que a sociedade faz com uma pessoa boa de verdade — é devastadora
  • Míchkin é o personagem mais comovente que o autor criou
  • 712 páginas com cenas de tensão social que são das melhores da obra dele

⚠️ Contras

  • Menor nota desta lista: 4,6 — a estrutura é mais frouxa que a dos outros romances dele
  • Longas cenas de salão com dezenas de personagens falando ao mesmo tempo
  • O final é abrupto e divide bastante os leitores

O veredito do Léo

Recomendo como o mais comovente do Dostoiévski, e o mais irregular dos grandes. O Idiota é frouxo em estrutura e imbatível na pergunta que faz: o que acontece com alguém incapaz de calcular, numa sociedade que só calcula. Chorei no fim, e não é por acaso que a nota é a mais baixa aqui — o livro machuca.

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9

Pais e Filhos

Ivan Turguêniev · 1862 · Romance

8.7

Dois jovens voltam da universidade para o interior da Rússia trazendo o niilismo, e chocam a geração dos pais. O confronto entre as duas visões de mundo acontece na sala de estar, e ninguém sai ileso.

  • Edição indicada: Companhia das Letras
  • Páginas: 344 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 2.194 avaliações de leitores

✅ Prós

  • 2.194 avaliações com média 4,8 e é o mais fácil de ler de toda a literatura russa clássica
  • 344 páginas com estrutura limpa e poucos personagens — sem a confusão de nomes dos outros
  • O conflito entre gerações é tratado sem que o autor tome partido de nenhuma
  • Bazárov é um dos grandes personagens do século XIX e quase ninguém no Brasil o conhece

⚠️ Contras

  • O debate ideológico dos anos 1860 russos exige alguma nota de contexto para render tudo
  • É bem menos ambicioso que os romances de Tolstói e Dostoiévski
  • O terço final perde força depois do auge do confronto entre as gerações

O veredito do Léo

Recomendo como o russo mais fácil, e é a segunda melhor porta de entrada depois de Memórias do Subsolo. Pais e Filhos tem 344 páginas, poucos personagens e uma discussão que qualquer pessoa que já brigou com o pai reconhece. Bazárov merecia ser tão conhecido quanto Raskólnikov.

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Pais e Filhos — Companhia das Letras

É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.

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10

Doutor Jivago

Boris Pasternak · 1957 · Romance

8.4

Um médico e poeta atravessa a Revolução Russa e a guerra civil dividido entre a esposa e Lara. O livro foi proibido na União Soviética, publicado clandestinamente na Itália e rendeu ao autor um Nobel que ele foi obrigado a recusar.

  • Edição indicada: Companhia das Letras
  • Páginas: 616 páginas
  • Na Amazon: 4,7 de 5, em 712 avaliações de leitores

✅ Prós

  • É o grande romance russo sobre a Revolução escrito por quem a viveu de dentro
  • Nota 4,7 e a história de publicação do livro é quase tão boa quanto o livro
  • 616 páginas com passagens de prosa poética que justificam o Nobel
  • Mostra a Revolução pelo lado de quem foi triturado por ela, não pelo dos vencedores

⚠️ Contras

  • Só 712 avaliações: é de longe o menos lido desta lista
  • A quantidade de coincidências — os mesmos personagens se reencontrando pela Rússia inteira — é difícil de engolir
  • Pasternak era poeta antes de romancista, e a estrutura narrativa mostra isso

O veredito do Léo

Recomendo por último, e mais pelo que ele representa do que pela construção. Doutor Jivago tem coincidências demais e prosa de primeira, e a história de como ele foi publicado — contrabandeado para a Itália, com o autor forçado a recusar o Nobel — é um capítulo à parte da Guerra Fria. Vale como leitura e como documento.

Quer a análise completa? Leia minha resenha de Doutor Jivago →

Doutor Jivago — Companhia das Letras

É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.

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Por onde começar na literatura russa

A ordem que eu recomendo, do mais curto ao mais monumental:

  1. Primeiro, como teste: A Morte de Ivan Ilitch — 93 páginas, e é a mais forte desta lista.
  2. Ou: Memórias do Subsolo, com 152 páginas e o narrador mais irritante da literatura, de propósito.
  3. Se quiser algo mais leve: Pais e Filhos, o russo mais fácil de todos.
  4. Primeiro romance grande: Crime e Castigo, que se lê como thriller policial.
  5. Para a melhor construção: Anna Kariênina, com 808 páginas sem uma cena desperdiçada.
  6. Para rir: O Mestre e Margarida, o único engraçado da lista.
  7. Quando estiver pronto: Os Irmãos Karamázov, o maior romance já escrito.
  8. Por último: Guerra e Paz, com 1.544 páginas, e Doutor Jivago, do século XX.

Com A Morte de Ivan Ilitch e Memórias do Subsolo você gasta 245 páginas e já sabe se aguenta os russos. É o teste mais barato possível para o gênero mais intimidador da literatura.

Perguntas frequentes

Por onde começar a ler literatura russa?

Por A Morte de Ivan Ilitch, de Tolstói, com 93 páginas, ou por Memórias do Subsolo, de Dostoiévski, com 152. Os dois são obras-primas curtas e dão a medida exata do que esperar. O erro clássico é começar por Os Irmãos Karamázov ou Guerra e Paz — que são os melhores e os mais longos, e desanimam quem ainda não pegou o gosto.

Qual o melhor livro da literatura russa?

Os Irmãos Karamázov, de Dostoiévski, na avaliação de boa parte da crítica mundial — o capítulo do Grande Inquisidor sozinho justifica a fama. Em construção narrativa, Anna Kariênina é imbatível: 808 páginas sem uma falha de ritmo. As duas respostas são defensáveis e os dois livros são de 1878 e 1880.

Qual a melhor tradução de literatura russa em português?

As traduções diretas do russo, principalmente as da Editora 34, feitas por Paulo Bezerra e Boris Schnaiderman — Memórias do Subsolo, O Idiota e O Mestre e Margarida desta lista são delas. A diferença para uma tradução feita a partir do francês ou do inglês é grande, e o preço quase não muda. Confira sempre se a capa diz 'tradução direta do russo'.

Qual o livro russo mais curto?

A Morte de Ivan Ilitch, com 93 páginas, seguido de Memórias do Subsolo, com 152. Os dois juntos dão menos de 250 páginas e cobrem os dois maiores autores russos. No extremo oposto está Guerra e Paz, com 1.544 páginas, e Os Irmãos Karamázov, com 920.

Qual a diferença entre Tolstói e Dostoiévski?

Tolstói escreve de fora, com clareza e controle: você vê a sociedade inteira funcionando. Dostoiévski escreve de dentro da cabeça de gente em crise, e a prosa é febril. Anna Kariênina e Guerra e Paz são Tolstói; Os Irmãos Karamázov, Crime e Castigo, Memórias do Subsolo e O Idiota são Dostoiévski. A maioria dos leitores prefere um dos dois com bastante convicção.

Literatura russa é toda deprimente?

Boa parte é pesada, sim — mas O Mestre e Margarida é a exceção e é genuinamente engraçado: o diabo chega a Moscou dos anos 1930 com um gato falante e desmonta a burocracia soviética no escárnio. Pais e Filhos também é bem mais leve que a média, e é o mais fácil de ler da lista inteira.

Vale a pena ler Guerra e Paz?

Vale, e é menos difícil do que a fama sugere — a prosa é clara e as cenas são vivas. O problema de Guerra e Paz é o tamanho: 1.544 páginas e mais de quinhentos personagens. Os ensaios de Tolstói sobre filosofia da história dá para ler em diagonal sem culpa nenhuma. Deixe para quando já tiver lido dois ou três russos.

Como não me perder nos nomes russos?

Cada personagem aparece com nome, patronímico, sobrenome e apelido — quatro formas para a mesma pessoa. A solução prática é anotar numa folha à parte nos primeiros capítulos. Vale menos esforço em Pais e Filhos e Memórias do Subsolo, que têm poucos personagens, e muito mais em Guerra e Paz, que tem mais de quinhentos.

Qual livro russo mais impacta o leitor?

A Morte de Ivan Ilitch, e não é perto. São 93 páginas sobre um juiz bem-sucedido descobrindo que vai morrer e percebendo que a vida inteira foi uma sequência de escolhas confortáveis e erradas. É o mais avaliado desta lista, com 10.617 avaliações. Só evite lê-lo em momento de luto recente.

Existe literatura russa do século XX que valha a pena?

O Mestre e Margarida, de Bulgákov, escrito em segredo sob Stálin e publicado vinte e seis anos após a morte do autor, e Doutor Jivago, de Pasternak, proibido na União Soviética e contrabandeado para a Itália. Os dois foram escritos contra o regime que os cercava, e as histórias de publicação são quase tão boas quanto os livros.

O teste mais barato para os russos

Comece por A Morte de Ivan Ilitch. São 93 páginas, 10.617 avaliações na Amazon, e é a coisa mais forte desta lista inteira. Em uma tarde você descobre se a literatura russa é para você.

Ver A Morte de Ivan Ilitch na Amazon →

Lista revisada e atualizada em 31/08/2026 por Léo Rezende.

Transparência: o Mural dos Livros participa do Programa de Associados da Amazon. Se você comprar por um link daqui, eu recebo uma pequena comissão — sem nenhum custo a mais pra você. Nenhuma editora paga para aparecer melhor posicionada nesta lista; a ordem é minha opinião de leitor, e só.

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