Livros de George Orwell: os 10 Melhores para Começar

🎯 Resposta direta: Os 10 melhores livros de George Orwell são A Revolução dos Bichos, 1984, O que é Fascismo? E Outros Ensaios, Por que Escrevo, A Revolução dos Bichos HQ, Na Pior em Paris e Londres, Lutando na Espanha, O Caminho para Wigan Pier, Dias na Birmânia e A Filha do Reverendo. Comece por A Revolução dos Bichos: são 152 páginas e é o mais avaliado de todos. E não deixe Lutando na Espanha de fora — é o livro que explica de onde veio 1984.
Léo Rezende

Por Léo Rezende
Leitura, análise e recomendação

Apaixonado por livros desde sempre, Léo Rezende criou o Mural dos Livros para compartilhar leituras, resenhas e descobertas com quem também não resiste a uma boa estante. Lê de clássico russo a suspense de aeroporto, e conta a verdade sobre os dois.

Quase todo mundo que lê Orwell lê dois livros e para. 1984 e A Revolução dos Bichos respondem por praticamente todas as vendas dele no Brasil, e não é injusto: os dois são excelentes. O problema é que a parte mais interessante da obra está do lado de fora dessa dupla.

Orwell foi policial imperial na Birmânia, lavou pratos em porões de Paris, dormiu em albergue em Londres, desceu numa mina de carvão e levou um tiro no pescoço na Guerra Civil Espanhola. Escreveu sobre tudo isso. E escreveu ensaios melhores que os romances.

Cada título tem prós, contras e o meu veredito. Inclusive o romance que o próprio Orwell achava ruim e queria fora de catálogo — que está aqui, em último lugar, com o motivo explicado.

Ilustração de Livros de George Orwell: os 10 Melhores para Começar

Comparativo rápido dos 10 melhores livros de George Orwell

A nota é minha, de leitor, de 0 a 10. A avaliação da Amazon aparece na ficha de cada livro, atribuída a ela — são coisas diferentes e não faz sentido misturar.

# Livro Gênero Páginas Nota do Léo Ideal para
1 A Revolução dos Bichos
George Orwell
Fábula política 152 9.6 Quem quer o Orwell mais devastador em 152 páginas
2 1984
George Orwell
Distopia 416 9.7 Quem quer um clássico que prende como thriller
3 O que é Fascismo? E Outros Ensaios
George Orwell
Ensaio 160 9.0 Quem quer o Orwell jornalista, que é melhor que o romancista
4 Por que Escrevo
George Orwell
Ensaio 128 8.8 Quem escreve, ou quer entender por que alguém escreve
5 A Revolução dos Bichos HQ
George Orwell / adaptação de Odyr
Graphic novel 176 8.6 Quem não engata em prosa ou quer apresentar Orwell a um adolescente
6 Na Pior em Paris e Londres
George Orwell
Não ficção / Memórias 224 8.5 Quem quer o Orwell repórter, antes de ele ficar famoso
7 Lutando na Espanha
George Orwell
Não ficção / Memórias 392 8.4 Quem quer entender de onde vem o Orwell político
8 O Caminho para Wigan Pier
George Orwell
Não ficção / Reportagem 288 8.2 Quem quer reportagem social de primeira linha
9 Dias na Birmânia
George Orwell
Romance 207 8.0 Quem quer o Orwell anticolonial, escrito por quem serviu ao império
10 A Filha do Reverendo
George Orwell
Romance 355 7.9 Quem quer o Orwell romancista antes das alegorias

Os 10 melhores livros de George Orwell, um a um

1

A Revolução dos Bichos

George Orwell · 1945 · Fábula política

9.6

Os animais de uma fazenda expulsam o dono e assumem o controle sob o princípio de que todos são iguais. Os porcos organizam a nova ordem. O princípio vai sendo reescrito na parede, uma palavra por vez, até virar outra coisa.

  • Edição indicada: Companhia das Letras
  • Páginas: 152 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 57.856 avaliações de leitores

✅ Prós

  • Livro mais avaliado de todo o site: 57.856 avaliações com média 4,8 na Amazon Brasil
  • 152 páginas — dá para ler numa tarde, e é o Orwell mais fácil de terminar
  • A frase final sobre a igualdade é uma das mais citadas da literatura, e chega como um soco
  • Funciona em qualquer idade: criança lê como fábula, adulto lê como retrato do próprio país

⚠️ Contras

  • A alegoria da Revolução Russa é ponto a ponto, e sem esse contexto você perde metade das camadas
  • Personagens são funções, não pessoas: ninguém aqui tem vida interior
  • É curto e sombrio de um jeito que não dá alívio nenhum em momento nenhum

O veredito do Léo

Recomendo em primeiro lugar entre os Orwell, à frente até do 1984. A Revolução dos Bichos faz em 152 páginas o que o 1984 faz em 416, e o efeito é mais cruel justamente por ser rápido. Li em uma tarde e passei a semana pensando nele. É o livro que eu daria para alguém que diz não ter tempo de ler.

Quer a análise completa? Leia minha resenha de A Revolução dos Bichos →

A Revolução dos Bichos — Companhia das Letras

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2

1984

George Orwell · 1949 · Distopia

9.7

Winston Smith trabalha reescrevendo o passado num ministério que se chama, sem ironia, Ministério da Verdade. Ele começa a duvidar. É só isso — e é o suficiente pra Orwell construir o romance político mais influente do século XX.

  • Edição indicada: Companhia das Letras — tradução de Alexandre Hubner e Heloisa Jahn
  • Páginas: 416 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 34.072 avaliações de leitores

✅ Prós

  • Prosa direta e rápida: apesar do tema pesado, é dos clássicos que mais viram página sozinhos
  • Inventou vocabulário que a gente usa até hoje sem perceber — Grande Irmão, Novafala, duplipensar
  • A tradução de Hubner e Jahn é fluida e sem português empolado
  • 416 páginas que funcionam tanto como romance quanto como manual de leitura de manchete

⚠️ Contras

  • O trecho do 'livro de Goldstein', no meio, é um ensaio político que trava o ritmo por umas 30 páginas
  • O final é sombrio de verdade, sem consolo — não é a leitura ideal pra uma semana já ruim

O veredito do Léo

Recomendo, e sem hesitar. 1984 é aquele raro clássico que não pede paciência: ele te agarra no primeiro capítulo, com aquele relógio batendo treze horas, e não solta. Li pela primeira vez na adolescência achando que era ficção científica. Reli aos trinta e percebi que tinha lido errado — e que a segunda leitura combina mal com abrir o noticiário logo depois. Se você só vai ler um livro desta lista inteira, leia este. Só não espere terminar de bom humor.

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1984 — Companhia das Letras

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3

O que é Fascismo? E Outros Ensaios

George Orwell · 2017 · Ensaio

9.0

Seleção de ensaios em que Orwell examina o uso político da linguagem, o nacionalismo e a pergunta que dá título ao volume — o que a palavra fascismo passou a significar quando todo mundo começou a usá-la para qualquer coisa.

  • Edição indicada: Companhia das Letras
  • Páginas: 160 páginas
  • Na Amazon: 4,7 de 5, em 1.013 avaliações de leitores

✅ Prós

  • O ensaio sobre a degradação da linguagem política é o melhor texto que Orwell escreveu, e cabe em vinte páginas
  • 1.013 avaliações com média 4,7
  • 160 páginas, ensaios curtos e independentes: leitura fracionada sem perder nada
  • Mostra de onde vem o 1984 — as ideias do romance estão todas aqui, em forma argumentativa

⚠️ Contras

  • Vários textos respondem a debates britânicos dos anos 1940 que exigem nota de rodapé
  • A seleção é da editora, não do autor, e a ordem dos ensaios parece meio arbitrária
  • Quem procura narrativa não vai encontrar nada disso aqui

O veredito do Léo

Recomendo com entusiasmo, e é a maior surpresa desta lista. O Orwell ensaísta é melhor que o romancista, e quase ninguém no Brasil lê essa parte da obra. O texto sobre linguagem política deveria ser leitura obrigatória em qualquer redação — vale as 160 páginas sozinho.

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O que é Fascismo? E Outros Ensaios — Companhia das Letras

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4

Por que Escrevo

George Orwell · 1946 · Ensaio

8.8

O ensaio em que Orwell lista os quatro motivos que levam qualquer pessoa a escrever — incluindo o egoísmo puro, que ele coloca em primeiro lugar — reunido com outros textos curtos sobre o ofício.

  • Edição indicada: Penguin-Companhia
  • Páginas: 128 páginas
  • Na Amazon: 4,7 de 5, em 961 avaliações de leitores

✅ Prós

  • 128 páginas: o mais curto desta lista e o mais rápido de terminar
  • 961 avaliações com média 4,7
  • A honestidade sobre a vaidade de quem escreve é rara e continua desconfortável de ler
  • Formato Penguin-Companhia: bonito, barato e fácil de carregar

⚠️ Contras

  • É um ensaio central e alguns textos de acompanhamento bem menores
  • Quem não escreve nem se interessa por escrita vai achar o assunto restrito
  • Sobrepõe parcialmente a seleção de O que é Fascismo?, e comprar os dois rende repetição

O veredito do Léo

Recomendo para quem escreve qualquer coisa, inclusive e-mail corporativo. As quatro razões que o Orwell lista são incômodas porque a primeira é vaidade e ele não tenta disfarçar. São 128 páginas. Se você já pegou O que é Fascismo?, saiba que há alguma sobreposição — escolha um dos dois primeiro.

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Por que Escrevo — Penguin-Companhia

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5

A Revolução dos Bichos HQ

George Orwell / adaptação de Odyr · 2018 · Graphic novel

8.6

A adaptação em quadrinhos que o gaúcho Odyr fez de A Revolução dos Bichos, pintada inteira à mão em tinta acrílica. Foi publicada no Brasil e depois licenciada internacionalmente.

  • Edição indicada: Quadrinhos na Cia — adaptação de Odyr
  • Páginas: 176 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 890 avaliações de leitores

✅ Prós

  • 890 avaliações com média 4,8 — muito bem recebida por quem já conhecia o original
  • A pintura em acrílico do Odyr dá aos animais uma expressividade que o texto não tem como dar
  • É a melhor forma de apresentar Orwell a alguém que não lê prosa longa
  • É adaptação brasileira exportada, e não o contrário — vale dizer isso

⚠️ Contras

  • Adaptação corta trechos: quem só ler isto vai perder nuances do texto original
  • Preço de graphic novel colorida, mais alto que o do livro em prosa
  • Não substitui o original, e nenhuma adaptação substitui

O veredito do Léo

Recomendo como complemento e como presente, não como substituto. A arte do Odyr é excelente e o livro tem um público específico e legítimo: adolescente, leitor que trava em prosa, ou quem já leu e quer ver a história desenhada. Eu comprei depois de já conhecer o original, e não me arrependi — mas leia o original.

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A Revolução dos Bichos HQ — Quadrinhos na Cia

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6

Na Pior em Paris e Londres

George Orwell · 1933 · Não ficção / Memórias

8.5

O primeiro livro de Orwell, publicado em 1933: o relato dos meses em que ele viveu sem dinheiro em Paris, lavando pratos em porões de restaurante, e depois em Londres, dormindo em albergues públicos.

  • Edição indicada: Tricaju
  • Páginas: 224 páginas
  • Na Amazon: 4,7 de 5, em 470 avaliações de leitores

✅ Prós

  • É o primeiro livro dele e já traz a prosa direta que definiu o resto da obra
  • O relato de cozinha de restaurante de luxo é impagável e provavelmente mudou como você olha para uma
  • 470 avaliações com média 4,7
  • 224 páginas de reportagem vivida, sem nenhuma pose literária

⚠️ Contras

  • Estrutura irregular: a parte de Paris é bem melhor que a de Londres
  • Orwell escolheu viver essa pobreza e podia sair a qualquer momento — isso muda o valor do testemunho, e ele reconhece
  • Algumas generalizações sobre grupos étnicos envelheceram muito mal

O veredito do Léo

Recomendo para quem já leu os dois famosos e quer conhecer o Orwell de verdade. Na Pior é o livro em que ele descobre o assunto da vida dele, e a parte parisiense é reportagem de primeira. A ressalva honesta: era pobreza escolhida, com porta de saída — o que não anula o livro, mas explica por que ele soa diferente de um testemunho de quem não tinha escolha.

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Na Pior em Paris e Londres — Tricaju

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7

Lutando na Espanha

George Orwell · 1938 · Não ficção / Memórias

8.4

Orwell foi lutar na Guerra Civil Espanhola, levou um tiro no pescoço e voltou para descobrir que o próprio lado estava reescrevendo o que tinha acontecido. Este livro é o relato disso — e é a origem direta do 1984.

  • Edição indicada: Biblioteca Azul
  • Páginas: 392 páginas
  • Na Amazon: 4,7 de 5, em 217 avaliações de leitores

✅ Prós

  • É a chave da obra inteira: sem ler isto, o 1984 parece profecia; depois, parece testemunho
  • Nota 4,7 e edição da Biblioteca Azul com 392 páginas e aparato completo
  • O relato de como a imprensa reescreveu os fatos enquanto ele estava lá é o coração do livro
  • A cena do tiro no pescoço é um dos melhores trechos de literatura de guerra já escritos

⚠️ Contras

  • Só 217 avaliações — é pouco lido no Brasil para a importância que tem
  • Os capítulos sobre as siglas dos partidos e milícias espanholas são áridos, e o próprio Orwell sugere pulá-los
  • Exige alguma noção da Guerra Civil Espanhola para render de verdade

O veredito do Léo

Recomendo como o livro mais subestimado do Orwell. Depois de ler Lutando na Espanha, o 1984 deixa de ser ficção especulativa e vira relato: ele viu, ao vivo, o passado sendo reescrito pelo próprio lado. Pule os capítulos de siglas — o próprio autor recomenda — e leia o resto com atenção.

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Lutando na Espanha — Biblioteca Azul

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8

O Caminho para Wigan Pier

George Orwell · 1937 · Não ficção / Reportagem

8.2

Orwell foi enviado ao norte industrial da Inglaterra para relatar a vida dos mineiros de carvão durante a Depressão. A primeira metade é reportagem; a segunda é um ensaio em que ele critica os próprios aliados de esquerda.

  • Edição indicada: Companhia das Letras
  • Páginas: 288 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 120 avaliações de leitores

✅ Prós

  • Nota 4,8: a maior desta lista junto com A Revolução dos Bichos
  • A descrição da descida à mina é uma das melhores páginas de reportagem do século XX
  • A segunda metade é uma autocrítica corajosa: ele ataca a esquerda de classe média a que pertencia
  • Edição da Companhia das Letras com tradução e notas cuidadosas

⚠️ Contras

  • Só 120 avaliações — é dos menos lidos do autor no Brasil
  • As duas metades parecem livros diferentes, e muita gente só gosta de uma delas
  • A segunda parte discute divisões políticas britânicas dos anos 1930 que exigem contexto

O veredito do Léo

Recomendo pela primeira metade, e admiro a segunda. A descida à mina de carvão é escrita que fica: você sente o teto baixo e a distância a percorrer agachado. A segunda parte é Orwell atacando o próprio time, e poucos autores fazem isso com essa honestidade. Duas metades desiguais e as duas valem.

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O Caminho para Wigan Pier — Companhia das Letras

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9

Dias na Birmânia

George Orwell · 1934 · Romance

8.0

Baseado nos cinco anos em que Orwell serviu como policial imperial britânico na Birmânia. O romance acompanha um comerciante inglês que despreza o clube de expatriados a que pertence e não consegue sair dele.

  • Edição indicada: Lebooks — edição digital
  • Páginas: 207 páginas
  • Na Amazon: 4,8 de 5, em 104 avaliações de leitores

✅ Prós

  • Nota 4,8 e o retrato mais direto do colonialismo britânico visto de dentro
  • Orwell serviu lá cinco anos: o desconforto do livro é experiência, não pesquisa
  • 207 páginas, ritmo de romance e ambientação excelente
  • Antecipa em quinze anos os temas de poder e cumplicidade que ele desenvolveria depois

⚠️ Contras

  • Só 104 avaliações, e a edição mais lida no Brasil é digital, de catálogo econômico
  • O protagonista é passivo e frustrante de propósito, o que cansa em alguns trechos
  • Reproduz a linguagem racista dos personagens coloniais, o que é intencional mas é duro de ler

O veredito do Léo

Recomendo para quem quer entender como o Orwell virou o Orwell. Dias na Birmânia é a primeira vez que ele escreve sobre estar do lado errado de um sistema e saber disso. A prosa ainda é a de um estreante e o protagonista irrita, mas o incômodo central do livro é legítimo e fica com você.

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Dias na Birmânia — Lebooks

É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.

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10

A Filha do Reverendo

George Orwell · 1935 · Romance

7.9

Dorothy, filha de um pastor interiorano, perde a memória e acorda em Londres sem identidade nem dinheiro. O romance acompanha a queda dela pelos degraus da sociedade inglesa dos anos 1930 e a volta para uma vida que já não faz sentido.

  • Edição indicada: Pé da Letra
  • Páginas: 355 páginas
  • Na Amazon: 4,6 de 5, em 194 avaliações de leitores

✅ Prós

  • Mostra o Orwell escrevendo romance realista, coisa que ele abandonou depois
  • O capítulo dos colhedores de lúpulo é reportagem disfarçada de ficção, e é excelente
  • 355 páginas com um retrato duro da hipocrisia religiosa e de classe da época
  • 194 avaliações com média 4,6 — pouco lido, mas bem avaliado por quem leu

⚠️ Contras

  • O próprio Orwell considerava este livro fraco e não queria vê-lo reeditado
  • A perda de memória como motor da trama é um artifício frouxo, e o livro nunca se recupera bem dele
  • A edição brasileira é de catálogo paradidático, sem o cuidado editorial dos outros títulos desta lista

O veredito do Léo

Recomendo apenas para quem já leu o resto. Este é o livro que o próprio autor queria fora de catálogo, e é bom ser honesto sobre isso — a estrutura não se sustenta. O que salva são os trechos de observação social, principalmente o dos colhedores de lúpulo, em que o repórter toma o lugar do romancista e o livro melhora na hora.

Quer a análise completa? Leia minha resenha de A Filha do Reverendo →

A Filha do Reverendo — Pé da Letra

É a edição que eu indico deste título. Preço e disponibilidade mudam direto, então confira lá.

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Por onde começar em George Orwell

A ordem que eu recomendo, e ela não é a ordem em que ele escreveu:

  1. Primeiro: A Revolução dos Bichos — 152 páginas, uma tarde, e o mais avaliado da obra inteira.
  2. Depois: 1984, o romance grande, agora com o gosto já formado.
  3. Aí o segredo: O que é Fascismo? E Outros Ensaios e Por que Escrevo, os ensaios, que são melhores que os romances.
  4. Para entender o autor: Lutando na Espanha, que é a origem direta de 1984.
  5. Para o Orwell repórter: Na Pior em Paris e Londres e O Caminho para Wigan Pier, os dois de observação social.
  6. Para o Orwell romancista: Dias na Birmânia, escrito a partir dos anos na Birmânia.
  7. Só por completude: A Filha do Reverendo, que o próprio autor renegava.

Com A Revolução dos Bichos e O que é Fascismo? E Outros Ensaios você gasta pouco mais de 300 páginas e sai com o essencial: a fábula que todo mundo conhece e o ensaísta que quase ninguém lê.

Perguntas frequentes

Qual livro de George Orwell ler primeiro?

A Revolução dos Bichos. São 152 páginas, é o livro mais avaliado do autor na Amazon Brasil — 57.856 avaliações com média 4,8 — e não exige nenhum contexto prévio para funcionar. O 1984 é maior e mais famoso, mas é melhor chegar nele já com o gosto formado.

Quantos livros George Orwell escreveu?

Seis romances, três livros de não ficção e centenas de ensaios e resenhas. Os romances incluem 1984, A Revolução dos Bichos, Dias na Birmânia e A Filha do Reverendo; a não ficção inclui Na Pior em Paris e Londres, Lutando na Espanha e O Caminho para Wigan Pier. Os ensaios estão reunidos em coletâneas como O que é Fascismo? E Outros Ensaios e Por que Escrevo, e são a parte da obra que menos gente lê.

Qual o melhor livro de George Orwell?

A Revolução dos Bichos, na minha opinião, e por uma razão simples: faz em 152 páginas o que o 1984 faz em 416, e o efeito é mais cruel justamente por ser rápido. Os leitores concordam em número: é o mais avaliado da obra dele no Brasil, com folga.

Qual a diferença entre 1984 e A Revolução dos Bichos?

1984 é um romance de 416 páginas sobre um regime totalitário consolidado, visto de dentro por um funcionário. A Revolução dos Bichos é uma fábula de 152 páginas sobre como uma revolução justa vira tirania, com animais no lugar das pessoas. O primeiro descreve o resultado; o segundo, o processo.

Qual o livro mais curto de George Orwell?

Por que Escrevo, com 128 páginas, seguido de A Revolução dos Bichos, com 152, e O que é Fascismo? E Outros Ensaios, com 160. Os três somam menos de 450 páginas e cobrem a fábula política, o ensaio sobre linguagem e o texto sobre o ofício de escrever — é a entrada mais eficiente possível no autor.

Vale a pena ler os ensaios de George Orwell?

Vale muito, e é a recomendação menos óbvia desta lista. O Orwell ensaísta é melhor que o romancista, e O que é Fascismo? E Outros Ensaios traz o texto dele sobre a degradação da linguagem política — vinte páginas que continuam explicando o noticiário de hoje. Se você só leu os dois romances famosos, é aqui que a obra fica interessante.

George Orwell lutou na Guerra Civil Espanhola?

Lutou, foi ferido por um tiro no pescoço e voltou para descobrir que o próprio lado estava reescrevendo os fatos na imprensa. Lutando na Espanha é o relato disso, e é a chave da obra inteira: depois de ler, o 1984 deixa de parecer profecia e passa a parecer testemunho.

Qual livro de Orwell tem a melhor reportagem?

O Caminho para Wigan Pier, pela descida à mina de carvão — uma das melhores páginas de reportagem do século XX. Na Pior em Paris e Londres vem logo atrás, com a cozinha do restaurante parisiense. Os dois mostram o Orwell repórter, que é o mesmo que depois escreveu os romances, só que sem a alegoria no meio.

Existe algum livro de Orwell que não vale a pena?

A Filha do Reverendo é o mais fraco, e não é opinião minha isolada: o próprio Orwell considerava o livro ruim e não queria vê-lo reeditado. A trama depende de uma perda de memória que nunca convence. O que salva são os trechos de observação social, principalmente o dos colhedores de lúpulo. Leia por último, se ler.

A adaptação em quadrinhos de A Revolução dos Bichos é boa?

É boa e é brasileira: A Revolução dos Bichos HQ foi pintada à mão em acrílico pelo gaúcho Odyr e depois licenciada para fora do país. Tem 890 avaliações com média 4,8. Funciona muito bem como presente ou para apresentar Orwell a adolescente — mas corta trechos, e não substitui as 152 páginas do original.

Por onde começar em Orwell

Por A Revolução dos Bichos. São 152 páginas, uma tarde de leitura, e é o livro mais avaliado do autor na Amazon Brasil: 57.856 avaliações com média 4,8.

Ver A Revolução dos Bichos na Amazon →

Lista revisada e atualizada em 31/08/2026 por Léo Rezende.

Transparência: o Mural dos Livros participa do Programa de Associados da Amazon. Se você comprar por um link daqui, eu recebo uma pequena comissão — sem nenhum custo a mais pra você. Nenhuma editora paga para aparecer melhor posicionada nesta lista; a ordem é minha opinião de leitor, e só.

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